Roma - A produção mundial de cereais baterá um novo recorde neste ano. Todavia, a crise financeira afetará negativamente os setores agrícolas de muitos países, sobretudo naqueles em desenvolvimento, informou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
Em seu relatório "Perspectivas alimentares", a FAO destacou que a subida histórica da produção agrícola mundial se deu principalmente pelos "altos preços dos alimentos que estimularam as plantações" e pelas "condições meteorológicas favoráveis".
O organismo destacou que a recuperação das produções de cereais aconteceu em grande parte nos países desenvolvidos, "onde os agricultores tinham condições mais favoráveis para reagir à crise financeira mundial".
Por outro lado, "os países emergentes tiveram uma capacidade de reação muito limitada, devido às dificuldades de financiamento nos setores agrícolas", explicou o relatório.
Segundo o documento da FAO, o forte aumento no preço dos alimentos elevou a taxa de pessoas desnutridas em todo o mundo, que agora são 923 milhões.
Além disso, na maioria dos países com baixa receita, "a diminuição nos preços internacionais dos produtos básicos ainda não foi refletida nos preços dos alimentos nacionais".
"Como conseqüência dos atuais problemas econômicos mundiais, existe um risco real de que a população tenha que reduzir seu consumo de alimentos e que aumente o número de pessoas que passam fome", declarou Concepción Calpe, uma das principais autoras do relatório.
De acordo com a FAO, para alimentar uma população mundial que chegará aos nove bilhões em 2050 (atualmente estamos nos seis bilhões), "terá que se duplicar a produção alimentar no mundo".