Portugal é segunda porta de entrada de cocaína na Europa
AGÊNCIA LUSA
Quinta-feira, 06/11/2008 - 11:16
Bruxelas - Portugal, depois da Espanha, continua ser a segunda maior porta de entrada de cocaína na Europa, aponta o relatório deste ano do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT).
O organismo europeu, que apresentou nesta quinta-feira, em Bruxelas, capital belga, as conclusões anuais do relatório, se baseia no fato de, em 2006, terem sido feitas na Espanha 41% do total das apreensões da droga realizadas nos países da União Européia (UE), enquanto Portugal atingiu os 28 %.
Em relação ao trajeto dos entorpecentes até a Europa, o OEDT diz que "tem vindo a crescer acentuadamente nos últimos anos" o transbordo através da África Ocidental, principalmente pela Guiné-Bissau, Guiné e Cabo Verde.
A cocaína se mantém como a segunda droga mais consumida entre os europeus, depois da maconha. A organização estima que pelo menos 12 milhões de pessoas na UE a tenham consumido pelo menos uma vez na vida, o que dá uma média de 3,6% da população entre os 15 e os 64 anos.
Apesar de Portugal ser o segundo país por onde passa mais cocaína na rota da América do Sul, onde é produzida, os portugueses tem um índice de consumo relativamente baixo, embora manifeste tendência contínua de aumento.
Comparativamente, a porcentagem de pessoas entre os 15 e os 64 anos que utilizou o entorpecente em Portugal foi cerca de os 1,2% em 2007, ano em que o Reino Unido atingiu quase 5,5% e a Irlanda um pouco mais de 3%.
Em 2006, último ano em que apresentou dados, a Espanha também ultrapassou os 5%.
Num quadro com a prevalência do consumo de cocaína nos diferentes países, quase sempre liderado pelo Reino Unido e pela Espanha, Portugal apenas é citado uma vez, por ser a nação com o quarto índice mais baixo entre as pessoas que disseram ter consumido cocaína no último mês: -0,2%.
O relatório se refere ainda a uma vacina contra a cocaína que está em fase de investigação e pretende anular os efeitos da droga.
"Os resultados dos ensaios clínicos iniciais são animadores, embora sejam necessários mais estudos para testar a viabilidade da vacina", indica o documento.