José Saramago sugere a Barack Obama fim de Guantánamo
AGÊNCIA LUSA
Quarta-feira, 05/11/2008 - 09:40
Lisboa – José Saramago escreveu no seu blog horas antes da eleição de Barack Obama como 44º presidente norte-americano, que lhe proporia, como primeira medida, que desmantelasse a base militar de Guantánamo e pedisse desculpa a Cuba.
“A primeira medida de governo que eu proporia a Barack Obama no caso de ele ser, como tantos andamos a sonhar desde há um ano e meio, o novo presidente dos Estados Unidos (…) desmontar a base militar de Guantánamo, mandar regressar os marines, deitar abaixo a vergonha que aquele campo de concentração (e de tortura, não esqueçamos) representa, virar a página e pedir desculpa a Cuba”, escreveu o prêmio Nobel da Literatura português em post intitulado “Guantánamo”.
O escritor, comunista, de 85 anos, sugeriu ainda a Obama “acabar com o bloqueio, esse garrote com o qual, inutilmente, se pretendeu vergar a vontade do povo cubano”.
“Pode suceder, e oxalá que assim seja - prosseguiu - que o resultado final desta eleição venha a investir a população norte-americana de uma nova dignidade e de um novo respeito, mas eu permito-me recordar aos falsos distraídos que lições da mais autêntica das dignidades, das quais Washington poderia ter aprendido, as andou a dar quotidianamente o povo cubano em quase cinqüenta anos de patriótica resistência.”
“Que não se pode fazer tudo, assim de uma assentada? Sim, talvez não se possa, mas, por favor, senhor presidente, faça ao menos alguma coisa. Ao contrário do que acaso lhe tenham dito nos corredores do Senado, aquela ilha é mais que um desenho no mapa. Espero, senhor presidente, que algum dia queira ir a Cuba para conhecer quem lá vive. Finalmente. Garanto-lhe que ninguém lhe fará mal”, frisou.
Como redigiu este texto antes do fechamento das urnas nos Estados Unidos, Saramago citou ainda que “no caso altamente indesejável de que viesse a triunfar o general McCain”, o que escreveu “pareceria obra de alguém cujas idéias sobre o mundo em que vive pecassem por um total irrealismo, por um desconhecimento absoluto das malhas com que se tecem os fatos políticos e os diversos objetivos estratégicos do planeta”.