Washington e Buenos Aires - Governos e opinião pública na América Latina torcem, em sua maioria, pelo candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, mesmo se os chefes de Estado sabem que nem ele nem o republicano John McCain mudarão substancialmente a política dos EUA na região, ignorada por ambos em suas campanhas.
Contudo, muitos latino-americanos temem que Obama signifique uma volta ao histórico "protecionismo" dos democratas. Ao mesmo tempo, porém, esperam do candidato uma maior abertura política, o que favoreceria as relações com Cuba e um diálogo mais brando com Chávez.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, durante sua recente visita a Cuba, declarou que vitória do candidato negro seria "avanço cultural".
"Da mesma forma como o Brasil elegeu um metalúrgico, a Bolívia elegeu um índio, a Venezuela elegeu o Chávez e o Paraguai elegeu um bispo, seria um avanço cultural a vitória de um negro na maior economia do mundo", disse Lula.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também expressou indiretamente o seu desejo de uma vitória do candidato democrata, destacando: "Que um negro chegue à presidência dos Estados Unidos não é pouco."
"Envio sinais ao homem negro, a partir daqui, nós que somos uma raça indígena, negra, caribenha e sul-americana, talvez se ponha à altura do que está ocorrendo no mundo e da esperança que o mundo tem, e que a maioria quer um mundo de paz", disse Chávez.
"Agora, que esse homem negro está à altura da história, esperemos, talvez, não pedir que ele seja um revolucionário, não pedir que seja um socialista, não, apenas que se coloque, o homem negro que está a ponto de ser presidente dos Estados Unidos, à altura do momento que vive o mundo", acrescentou o venezuelano.
No Uruguai, uma pesquisa divulgada hoje aponta que quase 80% da população acreditam que a vitória de Obama nas eleições presidenciais de amanhã irá favorecer os interesses da América Latina. Apenas 9% dos entrevistados consideraram melhor para a região o triunfo do republicano John McCain.
Em todos os segmentos da sociedade uruguaia, o democrata é o favorito, mas obtém resultados quase absolutos entre os militantes de esquerda (88%), as pessoas com menos de 40 anos (90%), os habitantes da capital (88%) e os indivíduos com maior nível de instrução.
Por sua vez, o presidente da Câmara de Deputados da República Dominicana, Julio Valentin, também considera que o melhor para o país é que o democrata seja eleito presidente, "mas nós não decidimos nem intervimos nesse processo".
"Tem que ter muita atenção e cuidado com a vitória de Obama nos termos da economia dominicana. Se for revisar seu histórico no Senado, pode-se observar que ele votou contra o Tratado de Livre Comércio com a República Dominicana e mostrou sua oposição a este acordo", pontuou Víctor Gomés Casanova, do partido opositor Reformista Social Cristão.
Uma das maiores comunidades de imigrantes radicadas nos Estados Unidos é de dominicanos, com quase 2 milhões de pessoas, muitas delas sem documentos, porque entram de maneira ilegal.
A população panamenha também considera que Obama será vencedor amanhã das eleições presidenciais norte-americanas, apesar de McCain ter nascido em território panamenho.
McCain nasceu em Cólon, a segunda cidade mais importante deste país, localizada no Atlântico, mas o candidato republicano é considerado norte-americano por ter vindo ao mundo nas antigas bases militares dos Estados Unidos no Panamá.