Gordon Brown diz que conflito congolês não pode virar Ruanda
AGÊNCIA LUSA
Domingo, 02/11/2008 - 15:23
Riad - A comunidade internacional não pode permitir que a República Democrática do Congo, onde está acontecendo um conflito entre rebeldes e governo, se transforme numa "um nova Ruanda", disse no sábado o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em visita à Arábia Saudita.
"Estou muito preocupado com a situação no Congo", disse Gordon Brown, em Riad, capital saudita.
Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 800 mil pessoas foram mortas no genocídio de Ruanda em 1994.
As declarações de Brown surgem num momento em que os ministros das Relações Exteriores do Reino Unido e da França, David Miliband e Bernard Kouchner, estiveram em Kinshasa, capital do RD Congo, onde visitaram o presidente congolês Joseph Kabila.
"Tivemos um bom diálogo", disse Miliband. "O tema chave da nossa discussão foi a necessidade de aplicar os acordos que já foram concluídos e que implicam a responsabilidade de todas as partes."
Kouchner e Miliband partiram no sábado para Kigali, onde se encontrarão com o presidente de Ruanda, Paul Kagame.
Cerca de 220 mil pessoas foram deslocadas desde que começou em agosto em função do conflito entre o exército regular e os combatentes do general deposto Laurent Nkunda, no Nord-Kivu, província do leste da RD Congo, que faz fronteira com o Ruanda.
Mark Malloch-Brown, secretário de Estado britânico das Relações Exteriores, declarou no sábado à BBC que o envio de tropas da União Europeia para a RDCongo "é uma opção sobre a mesa", se os esforços diplomáticos não funcionarem.
Contudo, Gordon Brown, não fez, em Riad, qualquer declaração sobre esta possibilidade.