Vitória critica tumulto da PM no estádio do Náutico
Domingo, 02/11/2008 - 07:51
Salvador - A propósito dos acontecimentos registrados ontem no Estádio dos Aflitos, em Recife, quando a Polícia Militar invadiu no intervalo do jogo o vestiário do jogo, ameaçando prender o goleiro Viáfara, o Vitória publicou em seu site nota oficial sobre os acontecimentos, que na íntegra é a seguinte:
1 – No intervalo do jogo, o capitão da Polícia Militar (Batalhão de Choque) Washington invadiu o vestiário do Vitória ameaçando de prisão o goleiro Viáfara, que, segundo ele, teria “desacatado” uma autoridade. “Você é um merda para mim”, vociferou com arrogância ao se dirigir a Viáfara, que, perplexo, só fez ouvir. Diante das ponderações, o oficial retirou-se com sua tropa.
A ação inesperada do PM desestabilizou a equipe e o técnico foi prejudicado, pois não teve o tempo necessário para conversar com os atletas.
A ação tresloucada do PM desestabilizou a equipe e o técnico Vagner Mancini foi prejudicado, pois não teve o tempo necessário para conversar com os atletas.
A invasão causou indignação e repercutiu depois das entrevistas de Mancini. O oficial então tentou se justificar e não foi leal em seu relato à imprensa após o jogo. De acordo com sua versão, teria “pedido calma ao jogador (Viáfara) rubro-negro que estaria indignado pelo fato de o árbitro ter pedido para repetir a cobrança do pênalti”.
E provocou reações: “Mentiroso. Eles entraram em sete ou oito. Sei o nome do policial que deu voz de prisão ao meu jogador: policial Washington. Ele interrompeu a minha palestra. Nós já estamos cansados de ver esse negócio de confusão com polícia aqui em Pernambuco. O Nordeste não precisa disso” , desabafou Mancini ao SporTV.
2 – Ao final do jogo, o presidente do EC Vitória, Alexi Portela, tentou chegar ao gramado para atender à imprensa (nos Aflitos, infelizmente, não há um espaço para entrevista) e foi bruscamente contido pelo porteiro com auxílio de três PMs, que usaram escudos para impedir o acesso. Alexi protestou, chamou atenção da imprensa, e passou a ter o apoio do presidente do Vitória S.A., Jorge Sampaio, que chegou minutos depois ao local, funcionários e atletas.
Durante o tumulto na entrada do túnel de acesso ao vestiário do Vitória, alguns atletas tentaram descer e um policial acionou spray de pimenta atingindo o médico Ivan Carilo, o jogador Jackson e o enfermeiro Anderson da Purificação.
Mais uma vez, os militares negaram e confessam que tudo não passou de um “blefe”. “ Jogaram algum tipo de gás. Ninguém aqui está de sacanagem. Todos saíram tossindo do vestiário. Eu também não agüentei” , disse o volante Renan ao SporTV.
“ Vou pedir a interdição do estádio”, promete Alexi Portela, que acionou de imediato o presidente da Federação Bahiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues. O dirigente da FBF, por sua vez, solicitou um relatório sobre o ocorrido, pois vai encaminhar à CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Em tempo: no primeiro turno, a PM protagonizou um tumulto generalizado ao acusar o zagueiro do Botafogo, André Luís, de desacato, usaram spray de pimenta e a CBF interditou o estádio.