Roma - A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) afirmou hoje que a Ferrari "parece estar desinformada", em resposta à ameaça da escuderia italiana de abandonar a Fórmula1, caso a organização obrigue a adoção do motor único a partir de 2010, para reduzir os custos operativos.
"A FIA ofereceu às equipes três opções possíveis. Uma delas é denominada motor standard e outra que poderia garantir a adoção de um motor comum por parte dos construtores para as escuderias independentes, para gastar menos de cinco milhões de euros", acrescentou a organização.
O comunicado, que não especifica qual é a terceira opção, explicou que a entidade "se alegra pelos êxitos financeiros da Ferrari e espera que continuem, mas há outras equipes cujos custos excedem amplamente suas entradas e isto não pode continuar assim".
"Chegou o momento dos construtores se colocarem de acordo sobre as propostas da FIA, ou apresentarem as próprias para reduzir os custos para níveis aceitáveis", acrescentou o comunicado.
"Caso isso não aconteça, adotaremos medidas necessárias para preservar a viabilidade do Mundial, tanto para os pilotos como para os construtores", completou a FIA, que lançou há 11 dias a idéia de um motor único a partir de 2010.
A rejeição da Ferrari à proposta foi anunciada na segunda-feira, quando a escuderia ameaçou se retirar da Fórmula1. A equipe italiana participa da categoria desde sua primeira edição, em 1950.
O anúncio da Ferrari tem o apoio de outras escuderias, como a Toyota, que também ameaçou se retirar da Fórmula1, caso a medida seja adotada a partir de 2010.
A direção da Ferrari alega que a adoção do motor único "privará a Fórmula1 de sua razão de ser, que é a competição e o desenvolvimento tecnológico".
"É por este princípio (de desenvolvimento tecnológico) que a Ferrari entende sua presença na Fórmula1. Se estes elementos deixarem de ter peso, nos reservaremos à possibilidade de avaliar, com os construtores, a nossa presença na categoria", declarou a escuderia.
Apesar disso, a Ferrari afirmou compreender a necessidade de reduzir os custos, mas se mostrou preocupada em igualar as equipes com a introdução de um motor único para todos, como propõe a FIA, que fixou como prazo o dia 7 de novembro para que os interessados apresentem as propostas.
O jornal italiano Corriere della Sera informou "que ninguém, exceto o presidente da FIA, Max Mosley, apóia a idéia de um motor unificado para todos". Hoje, o presidente da BMW Motorsport, Mario Thiessen, também se mostrou contrário ao projeto.