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Música
Chiclete sobe ao palco do TCA pela primeira vez
Terça-feira, 28/10/2008 - 10:21

25 discos, prêmios nacionais e internacionais, cerca de 130 shows por ano, 25 discos de ouro e platina, DVD de platina, e músicas que se transformaram em hinos para os fiéis seguidores - os confessos Chicleteiros - espécies de guerreiros da alegria da "religião" Chiclete. O tamanho do sucesso do grupo pode ser traduzido pelos números do mercado fonográfico, mas a idolatria dos fãs do Chiclete é sem dimensão. O encontro do grupo ( Bell, Wadinho, Rey, Deny, Waltinho, Lelo e Wilson ) com André Simões, Jonga Cunha e Fernando Guerreiro, no projeto Música Falada, no dia 5, às 21 horas, pela primeira vez no TCA, encerra a temporada 2008 do projeto e resgata contos e canções de uma das mais importantes bandas da história do axé.

O projeto, de shows intimistas com grandes nomes da música baiana, vai contar a história da banda que começou - há mais de 26 anos - nos tradicionais embalos de sábado à noite no interior da Bahia - naquela época ainda com o nome de "Scorpius", mas, já sob o lema da alegria. No palco os "Rolling Stones" do axé farão declarações sobre suas origens musicais, inspirações em Luiz Gonzaga, Moraes Moreira, Beatles, Carlos Santana, Novos Baianos, e, claro, Rolling Stones. Família, idolatria, popularidade, paixão dos dois filhos de Bell pela música, pernas - de fora ou não - são temas que serão abordados por Bell e os demais componentes do Chiclete. O aspecto "bussiness" da banda renderá outras discussões, entre elas, a institucionalização do nome "Chiclete" que ultrapassa as barreiras do consumo musical, gerando inúmeros negócios, como por exemplo a assinatura de vinhos.

Quantas bandanas Bell tem em sua coleção? De onde surgiu esse estilo? Mais de 20 anos cantando em um trio sozinho? Qual o futuro do Chiclete? João Ubaldo Ribeiro vai mesmo biografar o Chiclete? Assim como em outros shows do projeto Música Falada resgata as boas - e intocadas - histórias. Os momentos históricos da banda vão merecer destaque, assim como os blocos e as viagens internacionais. "Alegria é a tônica do bloco. Bell costuma dizer que eles se divertem no palco, que ser chicleteiro é exercer a alegria", diz o produtor executivo do MF, André Simões. "O Música Falada é um resgate de memórias, claro, que com linguagem teatral e mistura de música com um bom bate-papo, valorizando o potencial de cada um dos artistas convidados", conclui André.

Em seu segundo ano, o MF que estreou na temporada de 2008 com Durval Lelys, no dia 12 de agosto, migrou para o TCA. "Escolhemos o

Castro Alves, que possui 1.100 lugares a mais que o Acbeu (que comporta 400 pessoas) porque a procura pelos ingressos foi muito grande", avalia André. O novo espaço permitiu o crescimento do MF que no TCA ganha ingressos mais acessíveis, embora, sua característica intimista permaneça evidente, desde o formato de bate papo com os apresentadores Fernando Guerreiro, André Simões e Jonga Cunha, até o cenário vivo montado com amigos e familiares dos artistas no palco.

Além de Jonga Cunha - produtor musical - e André Simões - produtor executivo - o Música Falada leva ainda a assinatura de Fernando Guerreiro, na direção artística. Os três apresentam o programa Roda Baiana, diariamente, das 13h às 14h, na rádio Metrópole FM. Guerreiro conta que a idéia do projeto surgiu da interação adquirida no programa. "A idéia surgiu no rádio. Percebemos a oportunidade de transportar para o palco o caráter intimista, o improviso e a surpresa, claro, com uma linguagem teatral", diz Fernando.

O MF é um encontro entre artista e púbico e mediadores em uma hora e meia de revelações, canções e emoções. E foi justamente esse formato que destacou o projeto tanto junto à crítica quanto aos artistas. Para o público, uma oportunidade rara de estar tão perto e tão à vontade, ao lado de uma grande estrela da música baiana - acostumada a grandes platéias. Em outras edições do Música Falada, vários momentos ficaram

na memória da platéia. Ivete Sangalo fazendo dueto com a tia em canção dedicada a sua mãe, Daniela Mercury declarando seu amor pelo samba-reggae, Saulo emocionado diante da família e falando do filho João, Durval chorando ao relembrar a ajuda do pai no começo da sua carreira e Brown resgatando as histórias do Bloco "Apaches do Tororó" e emocionando a todos ao dedicar a canção "Velha Infância" para sua tia Alice.

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