Roma - As políticas de apoio à produção de biocombustíveis estão prejudicando a segurança alimentar mundial, afirmou o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf.
Abrindo em Roma a Jornada da Alimentação 2008, Diouf disse ainda que apenas um décimo dos US$ 22 bilhões prometidos pelos Estados-membros da ONU durante a conferência do organismo em junho foram colocados à disposição da emergência da fome.
De acordo com o diretor da FAO, o aumento da demanda por biocombustíveis vai aumentar os preços do trigo (5%), do milho (12%) e dos óleos vegetais (15%) nos próximos dez anos.
O organismo da ONU já havia advertido a comunidade internacional sobre tal "perigo". Segundo Diouf, o último relatório da FAO indica que "em um mundo onde o preço do petróleo é muito alto, o acesso à energia ainda é um problema para boa parte da humanidade".
No entanto, "o desenvolvimento da bioenergia não deve ser visto só como um risco, mas como uma oportunidade. A solução é buscar um equilíbrio entre a produção para fins energéticos e a produção para fins alimentares", completou.
Diouf centrou seu discurso na necessidade de continuar com os projetos de ajuda alimentar iniciados, apesar da crise financeira global.
"Estou ciente da situação internacional e da séria crise financeira que não facilita nosso trabalho", falou o diretor. "A mídia tem dado mais atenção à crise da economia, mas a alimentar ainda existe".
De acordo com estimativas da FAO, o número de pessoas que sofrem com a fome, 923 milhões em 2007, poderia aumentar ainda mais até o fim deste ano.
Para Diouf, é imprescindível que "os compromissos políticos de investimento para a promoção do desenvolvimento agrícola sustentável sejam respeitados".
A FAO já iniciou projetos em 76 países. Há ainda o Plano de Ação das Nações Unidas para combater a fome, anunciado pelo secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, e que já está em marcha desde junho deste ano.