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:: Especial ::
FAO
Biocombustíveis prejudicam segurança alimentar
  • Agência ANSA
  • Quinta-feira, 16/10/2008 - 23:14

    Roma - As políticas de apoio à produção de biocombustíveis estão prejudicando a segurança alimentar mundial, afirmou o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf.

    Abrindo em Roma a Jornada da Alimentação 2008, Diouf disse ainda que apenas um décimo dos US$ 22 bilhões prometidos pelos Estados-membros da ONU durante a conferência do organismo em junho foram colocados à disposição da emergência da fome.

    De acordo com o diretor da FAO, o aumento da demanda por biocombustíveis vai aumentar os preços do trigo (5%), do milho (12%) e dos óleos vegetais (15%) nos próximos dez anos.

    O organismo da ONU já havia advertido a comunidade internacional sobre tal "perigo". Segundo Diouf, o último relatório da FAO indica que "em um mundo onde o preço do petróleo é muito alto, o acesso à energia ainda é um problema para boa parte da humanidade".

    No entanto, "o desenvolvimento da bioenergia não deve ser visto só como um risco, mas como uma oportunidade. A solução é buscar um equilíbrio entre a produção para fins energéticos e a produção para fins alimentares", completou.

    Diouf centrou seu discurso na necessidade de continuar com os projetos de ajuda alimentar iniciados, apesar da crise financeira global.

    "Estou ciente da situação internacional e da séria crise financeira que não facilita nosso trabalho", falou o diretor. "A mídia tem dado mais atenção à crise da economia, mas a alimentar ainda existe".

    De acordo com estimativas da FAO, o número de pessoas que sofrem com a fome, 923 milhões em 2007, poderia aumentar ainda mais até o fim deste ano.

    Para Diouf, é imprescindível que "os compromissos políticos de investimento para a promoção do desenvolvimento agrícola sustentável sejam respeitados".

    A FAO já iniciou projetos em 76 países. Há ainda o Plano de Ação das Nações Unidas para combater a fome, anunciado pelo secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, e que já está em marcha desde junho deste ano.

    AnsaLatina

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