Washington - A intervenção do governo dos Estados Unidos para salvar o sistema financeiro e bancário é "temporário" e deve servir para "preservar as empresas", não para "controlá-las", segundo declarou o presidente George W. Bush.
"Estamos com um plano grande o suficiente para fazer a diferença", mas os investimentos nos bancos norte-americanos "serão temporários, porque não quero que o governo seja dono das empresas", disse Bush.
Após uma reunião com seu Gabinete, o presidente garantiu que a injeção de US$ 250 bilhões que beneficiará vários dos principais bancos norte-americanos faz parte de uma série de "medidas extraordinárias" lançadas para conter o pânico nos mercados.
"São ações bem planejadas, necessárias, e eu acredito que, a longo prazo, a economia vai se recuperar", comentou Bush, que disse ser "muito importante que o povo norte-americano entenda que o programa está destinado a preservar as empresas".
Segundo o presidente, "o governo vai comprar um número limitado de ações de certos bancos, os quais continuarão sob controle privado", afastando assim a possibilidade de "estatizações".
Bush disse que, se a situação "tivesse afetado somente Wall Street, teríamos dado uma resposta diferente (à crise)".
"No entanto, se não tivéssemos atuado de maneira decisiva, a quebra do crédito afetaria os trabalhadores e os pequenos empresários dos Estados Unidos".
Bush também prometeu que seu governo "não usará o dinheiro dos contribuintes para enriquecer acionistas".
"Vamos proteger seu dinheiro, vamos ajudar vocês a recuperá-lo", disse o presidente, durante um discurso em Michigan.
Por sua vez, o presidente do Federal Reserve (FED, banco central norte-americano), Ben Bernanke, disse hoje em Nova York que a crise financeira representa uma "ameaça significativa" para a economia dos EUA.
Bernanke prometeu que o governo "continuará usando todas as ferramentas à sua disposição para melhorar o funcionamento e a liquidez dos mercados".