Professor critica Senado por abrir brecha ao nepotismo
Quarta-feira, 15/10/2008 - 19:37
Brasília - O professor de ética e política Unicamp Roberto Romano criticou hoje (15) a decisão da Mesa Diretora do Senado de permitir que os parentes de senadores contratados em datas anteriores ao início de seus atuais mandatos continuem trabalhando na Casa. No Brasil, reina "a sociedade do favor", alfinetou, em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.
Para o professor, o brasileiro tem dificuldade em perceber a impessoalidade, a universalidade, a publicidade e a transparência dos cargos. “Se aqueles que produzem a lei ignoram os princípios da Constituição, eles estão não apenas delinquindo, mas também acabando com a fé pública.”
Romano conta que o Estado inaugurado no Brasil por D. João VI se estabeleceu com idéias contrárias às das revoluções inglesa, americana e francesa, que instituíram a responsabilidade pública.
“O próprio STF [Supremo Tribunal Federal] declara que define aquilo que é obvio em uma república e aceita que exista esse privilégio. Essa é uma contradição que me parece muito mais grave do que essa da não-punição de integrantes dos Poderes que têm familiares trabalhando", diz, referindo-se à brecha ao nepotismo aberta pelo Senado.