Brasileiro não conhece o trabalho das tropas no Haiti
Terça-feira, 14/10/2008 - 21:01
Brasília - Para a embaixatriz brasileira no Haiti, Roseana Kipman, falta, por parte dos brasileiros, especialmente os que são contrários à presença do Brasil na Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti (Minustah), conhecimento sobre o que as tropas fazem no país caribenho desde 2004.
“O Brasil não sabe o que nós [brasileiros] estamos fazendo e, quando sabem, sabem errado”, afirmou, em entrevista durante visita de uma comitiva do Ministério da Defesa a Porto Príncipe, capital do país.
Ela destaca que todos os militares que estão na missão de paz no Haiti são voluntários. “É importante deixar bem claro, não tem nenhum militar brasileiro aqui que não tenha passado por uma prova de aptidão e não tenha vindo como voluntário”, disse, quando perguntada sobre críticas que a missão sofre da parte de segmentos da comunidade internacional.
Na última sexta-feira (10), foram realizadas manifestações pedindo a retirada imediata das tropas da ONU do Haiti. Segundo informações divulgadas por organizações sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), diversas entidades da sociedade civil haitiana assinaram um documento pedindo a saída das tropas, classificadas como de ocupação, e o envio de pessoal civil que trabalhe na reconstrução do país.
Hoje (14), o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu estender o mandato da Minustah até meados de outubro de 2009.
“Estamos muito felizes, porque eles vêm aqui, estão aqui para ajudar. O Haiti tem a esperança de que eles vão ajudar a melhorar o país”, disse Lumène Destile, 52 anos, vendedora de pães nas ruas de Citè Soleil, até ano passado considerado o bairro mais violento do mundo.
“No início não foi muito bom, agora é diferente, porque a Minustah traz a paz aqui. No início não tinha paz. Quando a Minustah chegou, todo dia tinha tiro, era normal, conflito entre bandidos, mas agora a população está com a Minustah, porque ela está ajudando”, acrescentou Jean Baptiste Jean Denis, intérprete que trabalha no batalhão brasileiro.
Críticas levantadas também no Brasil, de violência cometida pelas tropas, como a levantada por um vídeo apresentado no Senado há algumas semanas pelo senador Eduardo Suplicy, são rebatidas pelo comandante da força da Organização das Nações Unidas (ONU) na missão, general Carlos Alberto dos Santos Cruz.
De acordo com ele, são poucos os casos de denúncia contra os soldados por abuso de autoridade ou algum outro problema no relacionamento com a população do Haiti e todos são investigados por uma comissão imparcial. “Sem dúvida não preenche uma mão os casos de um militar ser repatriado por problemas com a população”, afirmou, sem dar números exatos.