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Medicina
Pele artificial é desenvolvida por pesquisadores brasileiros
Terça-feira, 14/10/2008 - 11:48

Brasília - Pele artificial temporária para o tratamento de queimaduras, material para revestir coletes a prova de balas, biocurativos antimicrobianos, lentes de contato terapêuticas e ainda celulose comestível. Estes são alguns dos produtos derivados da biocelulose, a celulose produzida pela bactéria Acetobacter xylinum.

Pesquisas em novos produtos derivados da biocelulose vêm sendo desenvolvidas, desde 2006, pelas empresas Fibrocel e Trigger, situadas em Ibiporã (PR), em parceria com o Laboratório de Materiais Fotônicos (LAMF), do Instituto de Química da UNESP em Araraquara, coordenadas pelos professores Younés Messaddeq e Sidney Ribeiro, pesquisadores de Produtividade em Pesquisa do CNPq.

Na área médica, destaca-se a aplicação como substituto temporário da pele no tratamento de queimados e feridas de difícil cicatrização. O produto, também chamado de pele artificial, é conhecido no país por renomados cirurgiões plásticos, que já utilizam a biocelulose há pelo menos 20 anos, obtendo excelentes resultados de recuperação.

A celulose, o polímero natural mais abundante no planeta além de ser sintetizada por plantas, pode ser obtida também por alguns microorganismos, incluindo Acetobacter xylinum, Agrobacterium tumefaciens e Sarcina ventricull. A bactéria Acetobacter xylinum, facilmente encontrada em frutas, vegetais, vinagre e bebidas alcoólicas, é a única espécie conhecida capaz de produzir celulose em quantidades comerciais em meio de cultura que apresente como nutriente fontes de carbono e nitrogênio.

A versatilidade e aplicabilidade da celulose bacteriana decorre das propriedades e características peculiares da bactéria Acetobacter xylinum. A celulose produzida por esta bactéria tem uma ótima elasticidade por possuir longas microfibras, altamente hidratadas e com excelente resistência mecânica, além de ser facilmente moldável, o que permite sua obtenção na forma de fios, tubos e blocos. Tem também a característica de ser biodegradável, biocompatível, atóxica e não causa alergia.

A biocelulose é considerada excelente matriz para o preparo de novos materiais com aplicações em diferentes áreas do conhecimento, como as indústrias têxtil e de alimentos, na optoeletrônica e, principalmente, na medicina.
Pele Artificial

No LAMF-UNESP, os pesquisadores Younes Messaddeq e Sidney Ribeiro e a equipe formada por vários profissionais de diferentes áreas desenvolveram, a partir da biocelulose, novas membranas antibactericidas, utilizando nanocolóides de ouro e prata e própolis. "Os biocurativos antimicrobianos possibilitam sua aplicação em ferimentos infectados por bactérias, prevenindo a proliferação bacteriana e, conseqüentemente, acelerando o processo de cicatrização das feridas", afirma o estudante de doutorado do LAMF, Hernane Barud, que trabalha no desenvolvimento de membranas envolvendo própolis com a empresa APIS Flora de Ribeirão Preto, SP.

Além disso, outros projetos como o desenvolvimento de lentes de contato à base de biocelulose para a regeneração da córnea, com liberação controlada de medicamentos e a produção de novos polímeros compósitos para medicina estão sendo executados em conjunto com empresas nacionais e internacionais.

"Além destes novos materiais, a dissolução controlada da biocelulose foi uma das metas perseguidas pelo LAMF nos últimos anos, e o recente sucesso, baseado em pesquisa financiada pelo CNPq e FAPESP, permitiu a preparação de derivados de celulose com alto valor agregado e de importância para o país, como o acetato de celulose, a carboximetilcelulose e a celulose miocrocristalina", afirma Messaddeq.

Os pesquisadores estão tentando, também, tornar a celulose solúvel para ser utilizada em produtos de higiene, como pasta de dente e condicionadores, alimentos, como espessantes para iogurtes e celulose comestível, e ainda modificá-la para outros usos como o colete à prova de balas, películas para preservação de documentos e até telas flexíveis de computador.

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