Pequim - O Partido Comunista Chinês aprovou hoje uma reforma agrária "histórica", destinada a aumentar o lucro de cerca de 800 milhões de agricultores, informou a agência Xinhua.
A decisão foi tomada após uma reunião do Comitê Central, que durou quatro dias.
A reforma, anunciada pelo presidente Hu Jintao, beneficiará o setor da agricultura para enfrentar a redução das exportações e traçará estratégias para o aumento do consumo interno.
A crise que afeta os mercados mundiais pode "beneficiar a China", enquanto "busca modificar sua estrutura econômica após três décadas de crescimento", disse Jintao.
O sistema rural avançará para melhorar os lucros dos agricultores, que constituem 55% da população, disse o presidente ao comentar o plano sobre o qual não há mais detalhes.
O presidente chinês e o secretário do partido haviam dito antes do encontro que o objetivo de Pequim é avançar na modificação dos contratos dos agricultores, para que possam utilizar a terra como se fosse sua propriedade.
As normas de Pequim reconhecem a propriedade privada aos residentes urbanos, enquanto áreas rurais a posse de terras permanece com o caráter "coletivo".
"A chave é seguramente aumentar os lucros da população agrícola", afirmou Lu Xueyi, economista da Academia de Ciências.
O Comitê Central é formado por 204 membros e se reúne uma vez ao ano.
A China enfrenta a necessidade de aumentar sua demanda interna devido à crise do mercado financeiro, que produz uma retração nos níveis de exportações.
Para especialistas, uma das conseqüências da reforma agrária chinesa seria a possibilidade de criar sistemas para terras sob um único gestor, para uma exploração em grande escala e avançar na criação de empresas agro-industriais.
Segundo a agência Xinhua, essa reforma levará cerca de 12 anos para aumentar os lucros dos agricultores.