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Grã-Bretanha
Associação policial pede boicote à Scotland Yard por racismo
  • Agência ANSA
  • Segunda-feira, 06/10/2008 - 14:02

    Londres - Mesmo após o anúncio do prefeito de Londres, Boris Johnson, de que será aberta uma investigação sobre supostas discriminações raciais e religiosas dentro da Scotland Yard, uma associação londrina que reúne policiais pertencentes às minorias étnicas pediu a seus colegas que boicotem a corporação policial da capital.

    Alfred John, presidente da Metropolitan Black Police Association (MBPA), afirmou que sua organização, à luz dos eventos recentes, não irá mais "encorajar as pessoas a entrar e fazer parte" da Scotland Yard e daquilo que a associação considera como "um ambiente hostil".

    "Nas últimas semanas vimos o que pode acontecer também aos policiais de alto cargo que denunciam o racismo e a discriminação dentro da organização", disse John, referindo-se ao caso do comissário adjunto Tarique Ghaffur, suspenso de seu cargo pelo ex-chefe da Scotland Yard Sir Ian Blair - que se demitiu do cargo na última quinta-feira -, após ter acusado de racismo o próprio Blair e outros funcionários da Metropolitan Police.

    Apesar de terem sido feitos progressos nos últimos anos, os agentes de minorias étnicas têm mais dificuldade de fazer carreira na polícia, defendeu Mike Fuller, chefe da polícia de Kent, considerado por muitos um dos possíveis sucessores de Ian Blair.

    Em uma entrevista à emissora BBC, que será transmitida na noite de hoje, Fuller afirmou que quem não é branco "em geral deve trabalhar o dobro para que os próprios esforços sejam reconhecidos e para estar à altura para competir com os próprios colegas".

    Para o mesmo programa no qual Fuller foi entrevistado, a BBC realizou uma pesquisa entre diversos membros da Black Police Association, na qual dois terços do entrevistados afirmaram estarem convencidos de que sua raça influi negativamente em sua carreira.

    Mais de 70 % afirmaram terem sido vítimas de episódios racistas no trabalho. "Fui tratado pior que meus pais nos anos sessenta. É tudo muito escondido, não existem insultos racistas, simplesmente não se é bom o bastante para ser promovido", disse um dos entrevistados.

    Dois policiais asiáticos contaram terem encontrado em seus armários na delegacia de Stockwell, sul de Londres, uma série de pichações com frases racistas e um emblema da Ku Klux Klan.
    AnsaLatina

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