50 anos de bossa-nova mais 44 de Paquito é igual à Bossa trash, título de seu disco novo. Foram bem-vindas as coincidências, mas não havia pensado em efemérides quando o nome lhe veio à cabeça; quis mesmo compor uma canção e o fez, e é a única parceria do CD, com Arto Lindsay, pois tudo começou a tomar forma nos laboratórios que fizeram, nos quais mostrou as canções que queria gravar. Arto sugeriu versos, aparou arestas, criticou sabiamente, mas não queria este título pro disco.
No entanto, após dois anos de trabalho, no último dia de mixagem, ouvindo o resultado, o nome Bossa trash ficou: pela formação simples e camerística, só Paquito e seu violão de cordas de aço; pelo jeito das canções, entre melancólicas e auto-irônicas; e por seu canto, hoje mais grave. Ao projeto somaram-se: Tadeu Mascarenhas, que gravou e produziu com Paquito, tocou piano e escaleta; Eduardo Luedy, que, além do violão dinâmico, fez às vezes também de co-produtor; Jussara Silveira, que cantou, o samba mais bonito, Despedida; e Bruno Fortunato, do Kid Abelha, que embelezou Volte depressa de lá do Rio mesmo, com bandolins, violões e guitarra com slide e e-bow.
Outra amiga do músico, Jamile Vasconcelos, disse que, ao ouvir o CD, ficou com a impressão de que seu canto se dirige a cada pessoa individualmente, e não a uma platéia, como se contasse um segredo. Mais uma vez as coincidências: Segredo é o título de uma das músicas, e todas são canções de amor e desamor, até mesmo Três poodles, um rock mordaz. A variedade está mesmo nos gêneros: baião, samba de roda & catira, bossa-nova & bossa-velha, blues caipira medieval e até um quê de rock que o habita sem que ele precise defini-lo.