Crise financeira ameaça império da revista 'Playboy'
Emanuele Ricardi, da Agência ANSA
Terça-feira, 30/09/2008 - 12:21
A crise financeira mundial, que segue colecionando vítimas entre bancos e investidores, está atingindo em cheio o império da Playboy, a mais conhecida revista erótica do mundo, lançada pelo norte-americano Hugh Hefner há 55 anos.
Em um ano, as ações do grupo despencaram 60%. Preocupados, os contadores do grupo já pediram a Hefner a redução dos gastos. A advertência se traduziu em menos empregados domésticos e, sobretudo, menos "coelhinhas" ao redor do famoso libertino, atualmente com 82 anos.
O risco de bancarrota é sério, como demonstram algumas cifras do grupo. Hoje, com bolsas de valores despencando mundo afora, os papéis da Playboy perdiam 4,5%, sendo cotadas a US$ 3,7. Para se ter uma idéia, alguns anos atrás, cada ação valia US$ 10,7.
A crise, no entanto, está tirando não apenas os dólares de Hefner. A decadência econômica tem sido acompanhada por "desilusões amorosas" com suas coelhinhas preferidas. Recentemente, Holly Madison, de 28 anos, considerada por ele a "número um", trocou-o pelo mágico ilusionista Criss Angel.
O mesmo caminho foi seguido pela "namorada número dois", Kendra Wilson, de 23 anos, que agora namora a estrela do futebol americano Hank Baskett. A Mansão Playboy, um castelo com trinta e um quartos, piscinas e um parque com grutas artificiais, que sempre abrigou animadas festas suntuosamente decoradas com moças parcialmente desnudas, hoje vive em silêncio. Falta dinheiro para a diversão.
Quem hoje está à frente dos negócios da Playboy é a filha de Hefner, Christine, de 57 anos, que já enfrentou outros períodos de adversidade. Há alguns anos, teve de inovar para lidar com a crescente concorrência do cinema pornográfico e o impacto da internet. Acertou ao lançar uma linha de filmes eróticos e vendê-los a emissoras de tv a cabo.
Famosa por seu estilo empreendedor, Christine luta agora para evitar o desmoronamento completo de um império cada vez mais distante de seus áureos tempos, quando chegou a valer quase meio bilhão de dólares. Resta saber se, desta vez, conseguirá evitar que a crise transforme em lenda o coelhinho que um dia foi um dos símbolos mais conhecidos do mundo.