Washington - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e os dois candidatos a sucessão -- o republicano John McCain e o democrata Barack Obama --, líderes parlamentares de ambos partidos, tentaram hoje ressuscitar o pacote de ajuda financeira, rejeitado na segunda pela câmara dos Deputados.
Bush falou por telefone com McCain e Obama, que apresentaram ao presidente suas propostas.
O republicano disse que o Tesouro deveria atuar por conta própria, sem esperar a aprovação do pacote no Congresso, e comprar um trilhão de dólares dos títulos podres que corroem o sistema financeiro.
Ambos candidatos se declararam a favor de aumentar de 100.000 para 250.000 o valor dos depósitos bancários garantidos pelo governo federal.
No Congresso, o líder da bancada democrata no Senado, Harry Reid, assegurou que os parlamentares farão "o projeto [de ajuda financeira] avançar", que prevê a compra de US$ 700 bilhões de títulos podres.
Seu colega republicano, Mitch McConnell, afirmou que o parlamento votará novamente o pacote durante esta semana, "porque os membros do Congresso saberão a esta altura dos acontecimentos e se comportarão como pessoas adultas".
No entanto, os dois senadores não falam em nome de todos os parlamentares norte-americanos. Não foram a voz dos 228 deputados que na segunda-feira rejeitaram o projeto.
Nesta manhã o presidente voltou a falar da crise, na biblioteca da Casa Branca.
Bush reconheceu que "legislar é complicado" e que o processo para aprovar uma lei pode ser "incerto". Mas "pouco importa que caminho toma uma lei, o que importa é que tenhamos a lei", pressionou o mandatário.
"Estamos em um momento crítico da nossa economia e precisamos de leis que enfrentem de maneira decisiva os títulos problemáticos que atualmente sufocam o sistema financeiro", disse o presidente.
Bush afirmou que um descongestionamento do sistema por meio do pacote de ajuda permitirá que se reinicie "o fluxo de crédito para consumidores e empresas, e que a economia norte-americana volte a se movimentar".
Bush afirmou que a "dramática" queda das bolsas na segunda-feira "terá um impacto direto nas contas da aposentadoria, nos fundos de pensão e nas poupanças pessoais de milhões de nossos cidadãos".
"Se nosso país seguir neste curso, o dano econômico será doloroso e duradouro", alertou o presidente.
Os sinais demonstrados hoje pela Casa Branca e pelo Congresso trouxeram pouco otimismo às bolsas, que mantiveram a calma após as quedas recordes da segunda-feira. Em Nova York, o índice Dow Jones cresceu quase 500 pontos e o Nasdaq 5%, seu melhor resultado em seis anos.
O Congresso voltará ao trabalho amanhã e na quinta-feira, depois do feriado do Ano Novo judeu. Uma nova votação na Câmara baixa não é cogitada até quinta-feira, mas o Senado poderia começar a debater o pacote na quarta-feira.