La Paz - O governo boliviano afirmou hoje que o país está "à beira de um golpe de Estado", impulsionado pelos governos e autoridades dos cinco departamentos em que se concentra a oposição ao presidente Evo Morales -- Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.
Em entrevista concedida hoje, o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, anunciou medidas para conter as ações de manifestantes que estão paralisando o leste do país, justamente onde se situam as reservas de gás do país.
Ontem, grupos opositores de Tarija ocuparam uma estação pela qual a Bolívia exporta gás natural para o Brasil. Em Santa Cruz, sedes de instituições estatais estão sendo invadidas por manifestantes, enquanto em Chuquisaca, Beni e Pando seguem os bloqueios de estradas.
Para o ministro, tratam-se de "atos terroristas", que configuram um golpe civil, para o qual "já não se necessitam tanques", promovido a partir de governos locais e comitês cívicos dos departamentos opositores.
Quintana informou que o governo já destacou um maior número de militares para garantir a segurança das unidades de extração e processamento de gás e disse que os responsáveis pelos protestos sofrerão "severas conseqüências".
A oposição, disse ele, quer instaurar um clima de terror no país, ainda que isso ponha em risco a economia e a democracia. "São inimigos da pátria, que pretendem sepultar a nacionalização dos hidrocarbonetos, atropelar o governo nacional, derrubar a democracia e a ordem institucional", afirmou.
O ministro pediu que a Procuradoria prenda imediatamente os idealizadores do que ele define como uma "conspiração contra o governo" e conclamou o país à unidade, para que barre os atos da oposição. "Não é possível que um pequeno grupo de poder que hoje se sente derrotado politicamente recorra à violência", disse.
A oposição exige a não-realização do referendo constitucional, convocado para janeiro, o reconhecimento, por parte do governo federal, de seus estatutos autonômicos, e a devolução da totalidade dos recursos arrecadados com o Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos, usado em parte pelo presidente para pagar pensões a idosos.
No referendo revogatório ocorrido no último dia 10 de agosto, o presidente Evo Morales foi ratificado no governo com uma aprovação superior a 67%.