Salvador tem segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) 1.747.280 eleitores. A população da capital mais badalada do Nordeste aproxima-se dos 3.000.000 de habitantes.
O título do artigo é uma síncope inspirativa dos grandes Glauber e Raul, baianos de rocha, pois, seixas vem de seixo - significando, também, pedra, rocha -, o que leva-me a considerá-los, conceituá-los, como os Beatles e os Rolling Stones, estes os inventores do antidepressivo e dinâmico pensamento - “pedras que rolam não criam limo”.
Wellington da Fonseca Ribeiro
The music, filmes, sons, perfumes e cores, podres poderes, feras feridas, a arte funciona como um bálsamo para amainar, acalmar, as dores políticas, seguidas traições, horrores e crimes da necessária, maldita, porém, também, bendita política que, em nível elevado, é a arte de fazer o bem ao próximo, à coletividade, sem furtar ou roubar.
A cidade de Thomé de Souza recebe, diariamente, no mínimo, os mais variados impactos, não só como centro permanente de atração turística - muitos eventos, congressos, seminários de exposição e estudos e, mais do que tudo isso, de com força, na gíria soteropolitana, crescentes demandas não só dos populosos municípios do cinturão metropolitano como, também, de longínquas cidades do país baiano.
A Bahia, quatro vezes maior do que Cuba, só é um pouco menor do que a França, onde faz sucesso uma bela cantante, caso de um alto fulano de lá, que, entre a magia, plástica, luzes, spots e cores, sonora algo do tipo “seu amor é mais forte do que a cocaína colombiana”, creiamos, numa boa, uma love song apaixonada, perfumada, delirante, própria de amados amantes no curso de suas paixões.
Não pode haver truque, ardil, artimanha, disfarce para enganar a visão do eleitorado sobre essa simples, porém, relevantíssima realidade, que independe da vontade dos cinco postulantes ao governo da capital. Qualquer um deles - apenas dois passarão para o 2º turno -, o único vencedor, terá, que, real e obrigatoriamente, conviver administrativa e politicamente com os governos de Jaques Wagner e do presidente Luiz Lula da Silva. “Senta a pua, governo!”
A população e o eleitorado da capital devem saber, pela informação transparente, que a Prefeitura da cidade é permanentemente dependente dos recursos dos governos estadual e federal. É isso, principalmente isso, que o governo da capital baiana tem que mudar.
O prefeito eleito de Salvador passará a metade do seu mandato de quatro anos, exatamente dois anos, sob as esferas do governismo petista, onde o PT e o PMDB, em alta simbiose de suas maiores lideranças, enorme conexão de suas cúpulas, falam alto, decidem e podem produzir, criar, fomentar, trabalhos, serviços e equipamentos nas áreas de infra-estrutura sanitária, saúde, educação, porquanto, a segurança é um setor muito complicado, complexo, o qual, na realidade, depende de inúmeros fatores individuais, sociais, econômicos, coletivos e culturais. Por isso, é uma questão que envolve cada um de nós, que vivemos no meio da população e em derredor da sociedade e do Estado.
Walter Pinheiro, deputado federal suburbano, soteropolitano, teve mais de 200 mil votos em 2006, para a Câmara Federal. Seria um postulante autenticamente partidário na época em que o PT, com sua brilhante estrela vermelha reluzindo a ética e a moral na política, não aceitava aliança com quem não fosse 100% PT, como, por exemplo, o mineiro Tancredo Neves, que, antes de falecer, impôs duríssima derrota no Colégio Eleitoral congressual ao candidato da ditadura naquele pleito indireto, calcinando a aventura arenista-malufista, desde aquele período, embalada ou navegando nos mares do ratismo ou do ratonismo.
Wagner e Lula, na condição de chefes de Executivos, para governar, para administrar, para trabalhar em favor da população, são multipartidários. Seguramente, a não ser que haja uma hecatombe, o PT e o PMDB estarão colados até o final das eleições de 2010. Muito dificilmente, inclusive na Bahia, o PT se afastará do PMDB e vice-versa. Wagner e Geddel, experientes políticos, dominam esse entendimento.
Eles, Wagner governador do PT, Edmundo Pereira, vice-governador do PMDB e João Durval, senador do PDT, foi o triângulo que derrotou, em 2006, o carlismo, oriundo e sucessor do juracisismo, atualmente sob a denominação de netismo-soutismo.
A primeira grande vitória dos progressistas na Bahia deu-se na segunda metade do século passado, em 1986, sob o comando do ex-governador Francisco Waldir Pires, vindo do exílio forçado, derrotando o socialista-pefelista a serviço do carlismo, o bom jurista Josaphat Marinho. Vitória que serviu de modelo para a eleição de Lídice da Mata, em 1992, e a de João Henrique, em 2004, numa situação de second time, segundo turno, reunindo o conjunto das agremiações políticas da área não conservadora.
Em 1990, ACM foi eleito pelo voto. Por um triz não houve segundo turno. Os candidatos do PMDB, professor Roberto Santos e Lídice da Mata, da Frente de Esquerda, que saiu, nessa eleição, por invenção de Domingos Leonelli, com as companheiras Maria Salete e Bete Wagner, respectivamente, postulantes à Vice-Governadoria e ao Senado Federal, quase jogaram a decisão eleitoral desse pleito para o segundo turno.
Em 1994, ocorreu um estranhíssimo fenômeno senatorial, o estadualmente pouco conhecido Waldeck Ornellas, que, pelo PFL, elegeu-se senador, tendo em alguns municípios votação superior à do falecido senador ACM, também eleito, gerando um tremendo escândalo eleitoral, que, como processo de reapuração dos votos, tramitou em todas as instâncias, inclusive no STF, morrendo “nas curvas da estrada de Santos onde tento me esquecer de um amor que eu tive e vi pelo espelho na distância se perder”.
Dos cinco candidatos, dois são do campo de esquerda e um considerado de centro - a saber: Walter Pinheiro, do PT, Hilton Coelho, do PSOL, e João Henrique, de centro. O presidente Lula, em solo baiano, afirmou que o DEM de ACM Neto e o PSDB do ex-prefeito Antônio Imbassahy são seus partidos adversários. Então, fica assim: o postulante do PSDB é a terceira opção do governador - e, assim, Wagner terá um candidato a prefeito no segundo turno, de qualquer jeito -, porém, otizando-se o próximo 2010, o engineer não é seguramente o candidato de Lula, a não ser que ele troque de legenda e isso seja legalmente possível.
Falta menos de um mês para a eleição de 5 de outubro, um domingo, que, se for pelo gosto da maioria, será um dia de sol. As últimas pesquisas vislumbram um quadro de total incerteza com relação aos dois candidatos que irão para o segundo turno, agora, mais do que em 2004, com muito mais condições para acontecer.
O governador sabe, que, pelo menos, um de seus candidatos terá lugar garantido no segundo turno. Dois governistas, no momento, antes da reta final, parece ser improvável. O porto seguro do governador não é uma candidatura presidencial, e sim, sua reeleição em 2010, conforme movimentos que são observados na alta política nacional. Evidentemente que a vitória de um postulante governista à Prefeitura de Salvador facilitará a recondução de Wagner ao Governo do Estado. O resultado da eleição para prefeito de Salvador tem uma influência enorme no “estado de todos nós”, onde habitam 12 milhões de pessoas nos 416 municípios, menos Salvador.
A última pesquisa realizada pelo Ibope aponta ACM Neto (DEM) com 27%, Imbassahy (PSDB) 18%, João Henrique (PMDB) 15%, Pinheiro (PT) 13% e Hilton Rocha (PSOL) 1%. É o que publicou a Gazeta Mercantil, de São Paulo, no último dia 5 passado, portanto 30 dias antes da eleição. A aferição que coloca a disputada eleição para prefeito da terra de Lázaro Ramos, antecipa a futura batalha de 2010 para governador e as duas disputadíssimas vagas para o Senado.
A rejeição de João Henrique diminui paulatinamente. Não é mentira, a cidade pelo menos no perímetro urbano, está virando um canteiro de obras. O primeiro ano do atual governo da capital foi considerado bom e lhe deu até, pelas pesquisas da época, a possibilidade de aspirar ao governo estadual. O atual prefeito durante um bom período foi o candidato preferencial do governador e do presidente Lula. Tudo registrado na imprensa. Depois, o PT resolveu colocar, como partido governista nos âmbitos estadual e federal, seu candidato, o que não ofende a postulação democrática do candidato Walter Pinheiro, sua vice e dos partidos coligados. Não se pode negar que esses partidos também governaram a cidade por elástico período.
Os progressistas têm três candidatos - João, Walter e Hilton. O outro campo tem dois.
Os deputados Walter Pinheiro e Lídice da Mata formam uma chapa que é a face da esquerda da capital. Não se tem dúvida que a tendência dessa dupla é crescer eleitoralmente, encostando no postulante pretendente da reeleição. João e Pinheiro vão obter boas votações, contudo, um dos dois ou ambos, podem não cair no segundo tempo do jogo eleitoral.
No momento, a menos de 25 dias, é altamente imprevisível se saber quem são os dois postulantes que vão para o segundo turno. O comando governista no Estado - Jaques Wagner, Edmundo Pereira, os ministros Geddel Vieira Lima e Francisco Waldir Pires, aspirante natural ao Senado no próximo pleito –, não pode se dispersar diante da luz amarela que requer atenção.
O último debate dos prefeituráveis está marcado para o segundo dia de outubro. O dia 2, de qualquer mês, remonta nas mentes baianas o nosso eterno 2 de Julho, data maior da história e da independência brasileira, como quer a deputada comunista Manuela Portugal, do B.
O time governista no Estado, diante da imprevisibilidade dos candidatos que estarão no segundo turno, deve estar em estado de alerta. É fato e não boato: the yellow light is blinking. Ganhará a eleição em primeiro turno, muito impossível, o pretendente que tiver, seguramente, a metade de um milhão setecentos e quarenta e sete mil e duzentos e oitenta votos, mais um.
Na eleição de primeiro turno, em 2004, aconteceram duas surpresas. Da Luz, do PSDC, com 9.450 votos, superou o medalhão Benito Gama, do PTB, que obteve 6.354. César Borges, do PFL, obteve 264.355 votos. Nélson Pelegrino, do PT, obteve 261.198 votos. Por menos de 4 mil votos, Pelegrino não passou para o segundo round, do qual, saiu vencedor o atual candidato à reeleição com 75% dos votos válidos.
Entonces, yellow light and surprise podem acontecer. Imagine, pedras que rolam, eu nasci há dois mil anos atrás e Deus e o diabo na terra do sol. The end.
O próximo artigo versa sobre o ingresso do GGB na política de Salvador na eleição de 1990. O movimento gay completa 30 anos e merece por defender direitos de pessoas, consideração e registro histórico. Contarei essa história e a publicarei nesse jornal antes da parada gay do próximo dia14 em Salvador.
Wellington da Fonseca Ribeiroé jornalista, professor e bacharel em Direito pela USCal em 1987. É Campoalegrense-Remansense (BA).