Johannesburgo - Um diplomata europeu disse nesta segunda-feira à Lusa, a partir de Harare, que circulam rumores na capital do Zimbábue sobre a iminência de um acordo para a formação de um governo de unidade nacional.
O diplomata disse, sob anonimato, que os rumores dão conta da iminência de um acordo que permitirá a formação de um governo de unidade nacional, para governar o Zimbábue até que novas eleições se realizem num clima de paz e equilíbrio.
Um outro diplomata - este de uma nação vizinha do Zimbábue - disse também à Lusa, a partir de Harare, sob anonimato, que a “possibilidade de um acordo é grande, mas que a questão do controle das forças armadas continua a ser um tema explosivo”.
O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, que hoje tem encontros, em Harare, com Robert Mugabe e com as duas facções do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), espera também conseguir obter um acordo de divisão de poderes para a formação de um governo de unidade nacional.
A informação, prestada à Lusa por um alto quadro do partido no poder (o ANC), em condição de anonimato, tem ecos na capital do Zimbábue, onde os citados diplomatas contatados pela Lusa acreditam na possibilidade (ainda que remota) de conclusão de um acordo entre o MDC e a Zanu-PF de Mugabe hoje ou amanhã.
O diplomata europeu admitiu que “recentes desenvolvimentos não são muito encorajadores, mas que a pressão exercida sobre Robert Mugabe pelo continente africano para que faça mais concessões ao MDC na questão da partilha de poderes poderá estar a dar frutos”.
“Robert Mugabe, que sempre achou que não teria obrigação de dar mais de 20% do poder na administração ao MDC, deverá estar neste momento na disposição, sob pressão intensa, de conceder qualquer coisa como 40% das pastas governamentais por saber que ele e o país inteiro estão encurralados e que a única saída é negociar”, concluiu o diplomata.
Sob a batuta de Thabo Mbeki, negociador apontado pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) para tentar resolver a profunda crise política, econômica e social do Zimbábue, as partes assumiram manter-se em silêncio total sobre o conteúdo das negociações, o que têm seguido quase à risca desde o seu início.
Depois de Robert Mugabe ter ameaçado na semana passada nomear esta semana unilateralmente um governo, caso o MDC não assine o acordo até quinta-feira, o líder da maior facção do MDC, Morgan Tsvangirai (que venceu a 1ª volta das Presidenciais) disse num comício no Zimbábue no final de semana não estar disposto a alterar a sua posição nas conversações se Mugabe não fizer mais concessões.
Tsvangirai, que já manifestou pouca confiança na mediação de Mbeki, garantiu que “mais vale não assinar nada do que assinar um mau acordo”.