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Angola
MPLA tem 81,65%; Unita acha cedo para aceitar parciais
  • AGÊNCIA LUSA
  • Domingo, 07/09/2008 - 11:39

    Luanda – O presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita, oposição), Isaías Samakuva, considerou neste domingo, em Luanda, que é cedo para aceitar os resultados parciais das eleições legislativas angolanas, declarando que “falta credibilidade ao processo eleitoral”.

    “Neste momento, não é altura para aceitar estes resultados, que são provisórios”, afirmou Isaías Samakuva, lembrando que, em Angola, "existe o direito à reclamação” e que seu partido apresentou um pedido de impugnação das eleições na província de Luanda.

    Samakuva disse que está aguardando os dados relativos a outras províncias, para depois serem analisados com vista a uma decisão. Questionado pela Agência Lusa se admite apresentar outras queixas sobre irregularidades, Samakuva reiterou que o partido iria aguardar.

    "Sobre o que se passou no interior do país, vamos fazer a avaliação dos relatórios e decidir qual a forma mais correta de atuar. Os relatórios que estamos recebendo do interior do país vão nos permitir avaliar melhor a situação na devida altura”, completou.

    Na última parcial (3h51 em Brasília), com apuração pela metade, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) tinha 81,65% dos votos e a Unita seguia bem atrás na segunda posição, com 10,59%.

    “Não é possível concluir que todos os votos expressos sejam legítimos”, disse Samakuva, reiterando que “falta credibilidade ao processo”.

    O presidente da Unita apelou “à serenidade e ao respeito mútuo enquanto os resultados definitivos não são divulgados”.

    Nas províncias onde a Unita tem, tradicionalmente, bases fortes, como Huambo, Bié e Benguela, os resultados parciais também apontam para a esmagadora vitória do MPLA. Sobre isso, Isaías Samakuva adianta que “não interessa agora levantar uma série de questões que, a seu tempo, mereceram seu julgamento pelo povo”.

    O líder do partido afirmou, porém, que se assistiu durante o processo eleitoral a uma “desigualdade de meios e oportunidade para transmitir a mensagem” dos partidos.

    "As irregularidades durante o processo levaram à exclusão de várias áreas onde estariam concentrados militantes da Unita. Tudo isso torna o resultado com falta de credibilidade”, apontou.

    O presidente do maior partido da oposição, que numa entrevista recente à Agência Lusa havia admitido que seu futuro político poderia estar em jogo nestas eleições, afirmou que a Unita vai “precisar de tempo para reunir elementos e fazer análises adequadas” sobre os resultados.

    Em sua primeira declaração após as parciais, Samakuva afirmou ainda que sua mensagem aos angolanos era “de paz e confiança no futuro”. “Os angolanos votaram e estão todos de parabéns” e, a partir de agora, vão poder votar de quatro em quatro anos, não havendo mais “governos de 33 anos”, declarou.

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