No Rio, cerca de 7 mil pessoas assistem ao desfile cívico-militar
Domingo, 07/09/2008 - 14:07
Rio de Janeiro - Cerca de 7 mil pessoas assistiram, sob sol forte e temperatura de 30 graus, ao desfile cívico-militar de 7 de Setembro no Rio. Tropas da Marinha, do Exército, da Força Aérea Brasileira (FAB), da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Rodoviária Federal, ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), além de entidades civis e estudantes percorreram um trecho de aproximadamente cinco quilômetros da Avenida Presidente Vargas, no centro da cidade. Ao todo, segundo o Comando Militar do Leste, 6,5 mil pessoas desfilaram.
Na abertura do evento, o Fogo Simbólico da Pátria foi conduzido pelo judoca campeão mundial João Gabriel Shclittler, soldado do Exército. Este ano, o atleta conquistou o sétimo lugar nas Olimpíadas de Pequim.
O desfile contou ainda com a apresentação de carros de combate, aviões da FAB, viaturas militares e, pela primeira vez, aeronaves do Exército.
Para a estudante Fabiana da Fonseca, de 17 anos, desfilar durante a Parada da Independência representou uma "alegria especial". Ela é aluna do último ano do ensino médio da Fundação Osório e disse não ter se importado em acordar mais cedo num domingo para participar do evento.
“Estou fechando com chave de ouro meu ciclo escolar. Pela primeira vez desfilo e logo neste ano que me despeço da escola, que vim representar numa data tão importante. A gente precisou acordar cedo, mas não tem problema, a emoção de estar aqui é maior”, afirmou.
Já o reservista do Exército Adelino Moreira, que desfilou pelo terceiro ano, garantiu que vence o cansaço de percorrer o trajeto sob o sol pelo orgulho de participar da homenagem ao país.
“Eu renovo as minhas forças e pareço ter 18 anos de novo”, disse Moreira.
Orgulho também foi a palavra usada pelo comerciante Roberto Alves de Araújo para explicar o motivo de ter levado o filho William, de sete anos, para assistir ao desfile.
“Acho importante para ele valorizar a nossa nação desde cedo e ter, como eu, orgulho de ser brasileiro. Principalmente em uma época em que a gente convive com tantos maus exemplos de brasileiros, é importante mostrar aos nossos filhos exemplos de vencedores, de pessoas que lutam pelo Brasil”, destacou.
Após o encerramento do desfile oficial, pouco antes do meio-dia, o 7 de Setembro ganhou um tom de protesto, durante o Grito dos Excluídos, que este ano promoveu sua 14ª edição. Integrantes de diversos movimentos sociais marcharam por um trecho da Avenida Presidente Vargas carregando bolas vermelhas, faixas e cartazes pedindo o fim das injustiças sociais no país.
De acordo com Ana Magni, uma das organizadoras da manifestação, este ano aproximadamente 500 pessoas participaram do protesto que, segundo ela, teve o objetivo de denunciar a criminalização da juventude pobre e negra e dos movimentos sociais. O grupo também protestou contra a violência policial praticada em comunidades carentes do estado.
“A gente vive hoje muito mais uma política de extermínio do que de segurança pública. Pessoas são punidas apenas por morar em favelas e acabam morrendo por isso”, destacou.