Moscou - O vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, acusou neste sábado a Rússia de ter alimentado o conflito interno na Geórgia e de ter cometido atos de guerra contra a democracia.
De Moscou, o presidente-russo, Dmitri Medvedev, reiterou por sua vez as acusações aos Estados Unidos de instigar o regime georgiano e de continuar armando Tbilisi sob a bandeira das ajudas humanitárias.
Washington e Moscou iniciaram hoje uma nova e dura troca de acusações sobre as responsabilidades pela crise no Cáucaso.
"A forças russas atravessaram uma fronteira internacionalmente reconhecida para penetrar em um Estado soberano", disse Cheney durante seu discurso em um seminário ocorrido na cidade de Cernobbio, norte da Itália.
"Estas forças alimentaram e fomentaram um conflito interno, levando a cabo atos de guerra sem nenhuma consideração pela vida humana, matando civis e provocando o êxodo de dezenas de milhares de pessoas", afirmou.
"Tudo isso ocorreu contra uma nação que elegeu democraticamente seu governo e se orientou em direção ao Ocidente", acrescentou o vice-presidente norte-americano.
"Para levar ajuda humanitária mandaram a frota inteira", ironizou por sua vez o mandatário russo durante uma reunião do Conselho de Estado, irritado pela presença da frota militar norte-americana no Mar Negro. "Isto nos leva a pensar que devemos reforçar nossa segurança nacional", continuou Medvedev.
"Sentimo-nos do mesmo modo como os Estados Unidos se sentiriam se Moscou enviasse ajuda humanitária a Cuba usando sua frota militar", disse o chefe do Kremlin.
Medvedev ressaltou também que a Rússia "deteve a agressão militar, protegeu e defendeu seus próprios interesses".