Secretário diz que internos do Caje praticam auto-flagelo
Sábado, 06/09/2008 - 15:13
Brasília - O secretário de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, Peniel Pacheco, atribuiu parte dos ferimentos observados nos internos do Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) à pratica de auto-flagelo.
“Há auto-flagelo entre os internos. Existem internos que se cortam de propósito para poder ir para a enfermaria”, disse o secretario. Ele chegou a citar o caso de um dos internos que tinha um ferimento pequeno na perna e, com a unha, abriu a ferida para poder ser levado para o atendimento médico. “Há meninos que se cortam com o próprio plástico dos marmitex [embalagens das refeições fornecidas]”, disse o secretário.
Hoje (6), o secretário esteve no Caje após as reclamações feitas pelos visitantes. Ele disse que encontrou três internos com arranhões no braço e um menino com hematoma no olho. Peniel atribiu os ferimentos a uma briga interna.
“No caso desse menor com hematoma no olho, verifiquei que ele já chegou ao Caje com a lesão. Ele veio da Delegacia da Criança e Adolescente já com esse hematoma, inclusive consta no laudo do IML [Instituto Médico Legal]”, disse o secretário.
O secretário pediu para que os funcionários do Caje elaborem um relatório dos casos de lesão corporal.
Peniel vistoriou hoje as obras de mais uma unidade de internação que funcionará em Planaltina, cidade satélite ao norte de Brasília. O secretário informou que espera inaugurar a unidade no prazo de 30 dias. Ela terá capacidade para 90 internos.
O Caje possui capacidade para abrigar 220 internos e, de acordo com informações da secretaria, abrigava ontem (5) 263 menores infratores. No Distrito Federal existem mais duas unidades, com capacidade par atender 130 internações, cada uma.
O secretário reconheceu que a estrutura do Caje não é ideal para a internação de menores, pois possui características de presídio. Ele ressaltou o governo não tem condições de abrir mão da estrutura do Caje no momento, mas que vai criar uma comissão para propor mudanças na estrutura da unidade.
"É um prédio muito antigo, construído com uma visão diferente da que temos atualmente, mais foco na recuperação do menor. A atual estrutura não oferece segurança nem para os internos e nem para os agentes”, destacou o secretário.