Saldo de investimento luso no Brasil cai 2,5% até junho
AGÊNCIA LUSA
Quinta-feira, 28/08/2008 - 09:15
Lisboa - A diferença entre o que Portugal investiu e o capital que retirou do Brasil caiu 2,5% no primeiro semestre de 2008, invertendo a tendência registrada nos dois últimos anos.
Os dados do Banco de Portugal (o banco central luso) revelam que esse saldo ficou em 166,9 milhões de euros entre janeiro e junho deste ano, contra 171 milhões de euros do mesmo período de 2007.
O dinheiro que as empresas portuguesas injetaram no Brasil até aumentou, passando de 287 milhões de euros no final de junho de 2007 para 526 milhões em junho de 2008. No entanto, o desinvestimento cresceu mais - de 116 para 359 milhões de euros.
Desde de 2005, quando o saldo teve déficit de 437,6 milhões de euros, este indicador vinha melhorando sucessivamente. Em 2006, totalizou 12,9 milhões de euros, valor que subiu para 373,3 milhões de euros no ano seguinte.
Em agosto de 2006, o primeiro-ministro português, José Sócrates, efetuou uma visita oficial ao Brasil, acompanhado por uma extensa comitiva de empresários, com o intuito de dinamizar as trocas bilaterais.
Empresas como Portugal Telecom (PT, dona de metade da Vivo), Energias de Portugal (EDP, controladora da Energias do Brasil) e Brisa (acionista da CCR) investiram vários milhões de euros na fase de entrada no mercado brasileiro, nos anos 90.
Ricardo Espírito Santo, presidente do BES Investimento Brasil e que lida diariamente com empresas portuguesas, disse à Agência Lusa que "o investimento direto estrangeiro de Portugal para o Brasil tem vindo a diminuir efetivamente, pois, nos anos anteriores, houve um volume muito grande de investimentos, que é difícil de manter no mesmo nível por muito tempo".
Apesar da redução dos montantes investidos em relação ao final da década passada, Ricardo Espírito Santo nota que "todas as grandes empresas portuguesas que estão no Brasil têm planos para aumentar sua atividade e presença local, pois é no Brasil que existe um crescimento que vai fazer a diferença para a eventual valorização de suas ações".
Em declarações à Lusa, João Santos, da Aicep, também considera normal que, depois de um período de forte investimento, siga-se uma fase de menores aportes de dinheiro, dada a estabilidade do negócio.
Ricardo Espírito Santo admite que "pode estar havendo pagamentos de dividendos sobre os valores anteriormente investidos", porque os empresários estariam colhendo "frutos do investimento passado", e não significaria, necessariamente, uma saída propriamente dita de empresas portuguesas do Brasil.