Presidente da Vale defende debate do pré-sal sem politização e com regras
Quinta-feira, 28/08/2008 - 15:29
Brasília - O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse hoje (28) que está otimista com a descoberta de petróleo na camada do pré-sal, mas pediu que o debate não seja politizado e que as regras do jogo sejam mantidas. Uma das maiores mineradoras do mundo, a Vale é parceira da Petrobras e, no ano passado, conseguiu o direito de exploração de nove áreas de gás natural com a estatal brasileira e outras companhias petrolíferas.
Hoje, durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, informou que a empresa deve contratar 234 novas embarcações até 2012. Ao comentar a informação, Agnelli disse que o pré-sal vai realmente "necessitar da construção de muito navio. Vai muito minério de ferro. Tem muito material eletrônico e muito cobre. [No pré-sal] tem muito problema com o material corrosivo. Estou otimista. Acho que a coisa está boa."
Sobre o debate do modelo de exploração do pré-sal, Agnelli destacou que o importante é manter os contratos e não politizar a discussão. Segundo ele, a produção do pré-sal só deve começar em 2015 e, até lá, há o espaço para definir as regras e o modelo certo.
"Pelo tamanho da descoberta e pela representatividade das reservas, é bom parar um pouquinho e partir para essa discussão. Tem também que respeitar as regras e quem já investiu no Brasil", afirmou o executivo.
Para ele, a definição tem que vir com a maior brevidade possível, se as regras vão ser alteradas ou não, e em que extensão isso acontecerá. O debate é importante porque vai mostrar que o país vai mudar com o pré-sal, enfatizou o presidente da Vale.
Roger Agnelli também disse que apóia a idéia do governo de aplicar os recursos pbtidos com a exploração do pré-sal em áreas que beneficiem o cidadão, como a educação. Ele elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter chamada a atenção sobre a necessidade da sociedade ser beneficiada com as novas descobertas. "Dentro da atual lei do petróleo e de concessões, existe esse espaço para acertar tudo. Acho absolutamente justo, correto imaginar que uma descoberta desse porte muda o patamar do país. A sociedade brasileira tem que ter um benefício", afirmou.
Sobre as exportações de minério de ferro, Agnelli traçou um quadro otimista. Para ele, não é possível esquecer o crescimento da China e, de forma geral, da Ásia e do Oriente Médio, onde existem regiões populosas e com um número cada vez maior de consumidores. "Dificilmente você encontra paralelo na história. O número de pessoas que estão saindo da condição de não-consumidores para a de consumidores, até aqui no Brasil. Esses números estão acontecendo de forma muita intensa na China, no Vietnã", concluiu o executivo.