Moscou - A OTAN pediu hoje que a Rússia anule o reconhecimento da independência das repúblicas separatistas da Ossétia do Sul e Abkházia, enquanto a França, que atualmente detém a presidência de turno da União Européia, disse que a Rússia pode ter objetivos expansionistas.
Em um comunicado divulgado em Bruxelas, a OTAN advertiu a Rússia para que volte atrás na decisão anunciada na última terça-feira por seu presidente, Dmitri Medvedev, pela qual a Rússia reconhece as repúblicas separatistas como independentes.
A Rússia tomou posição hoje em águas territoriais em Abkházia, para manter o controle da área e impedir o "transporte de armas", informou hoje o comandante da frota na base de Novorossisk, Sergei Miniailo. De acordo com o comandante o objetivo é "apoiar a paz e a estabilidade em Abkházia e em suas águas".
O presidente da Geórgia, Mikhail Saakhasvili, enfatizou seu pedido de um apoio explícito e conjunto da União Européia e voltou a advertir que a Rússia pretende modificar as fronteiras da região com o uso da força.
Em declarações ao jornal alemão Bild, Saakhasvili disse que a "Rússia modifica as fronteiras da Europa de maneira arbitrária e violenta. Se a Europa permitir uma vez, a Rússia fará novamente no futuro".
O chanceler francês, Bernard Kouchner, declarou que a Rússia tem "outros objetivos", como a Ucrânia e a Moldávia, em seu plano expansionista.
Segundo o chanceler, a situação é "muito perigosa". Ele reiterou que a Rússia permanece "fora da lei internacional" com o reconhecimento da independência da Ossétia do Sul e de Abkházia.
"Não podemos aceitar tais violações do direito internacional, dos acordos de segurança e cooperação na Europa, das resoluções das Nações Unidas, além da tomada, pela primeira vez em muito tempo, de um território por parte do exército de um país vizinho", disse Kouchner.
A Rússia busca obter o primeiro apoio internacional à sua decisão na reunião da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que acontece até amanhã no Tadjiquistão.
A OCX reúne a Rússia, as ex-repúblicas soviéticas Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tadjiquistão, além da China.
"Esperamos que nossos esforços para resolver o conflito na Geórgia serão reconhecidos", disseram fontes do governo russo citadas hoje pela imprensa local.
O presidente russo assegurou hoje à chefe de governo alemã, Angela Merkel, em um telefonema, que a Rússia mantém o compromisso de cumprir os seis pontos estabelecidos no plano de paz proposto pela França em seu turno na presidência da UE.
Fontes oficiais russas declararam que Merkel e Medvedev "discutiram questões sobre colocar em prática os seis pontos para a solução do conflito, elaborados por Medvedev e Nicolas Sarkozy", presidente da França.