África precisa enfrentar ameaças ambientais, diz OMS
AGÊNCIA LUSA
Terça-feira, 26/08/2008 - 12:07
Libreville - A África está ficando sem saída diante das atuais ameaças ambientais e dos conseqüentes problemas de saúde pública, precisando repensar políticas e estratégias, alertou o diretor regional da Organização Mundial de Saúde (OMS), o angolano Luís Gomes Sambo.
Nesse sentido, em entrevista à Agência Lusa, Gomes Sambo destacou a importância da primeira Conferência Interministerial sobre Saúde e Ambiente, que começa nesta terça-feira em Libreville, Gabão.
Água não-potável, saneamento básico quase inexistente, superpovoamento urbano, tratamento irregular de resíduos e visíveis alterações climáticas são alguns dos muitos problemas africanos identificados pela OMS.
"São problemas básicos para os quais a África ainda não encontrou as soluções corretas e que podem ser minimizados, bem como seu peso na saúde pública", declarou Luís Gomes Sambo.
"Quando falamos em desenvolvimento, estamos falando também em melhorar a saúde das pessoas. E para melhorar a saúde pública, temos de melhorar o meio ambiente", afirmou.
Para o responsável, o encontro em Libreville vai permitir ao continente africano dar os primeiros passos na direção de um diálogo coordenado, intersetorial e cada vez mais necessário.
"Pela primeira vez, os ministros africanos vão ter a oportunidade de discutir a interface entre o meio ambiente e a saúde", afirmou Gomes Sambo, explicando que "vão analisar os problemas comuns, trocar experiências e o debate vai gerar uma nova reflexão e novas idéias".
Luís Gomes Sambo acredita que os países africanos terão de repensar seus sistemas de saúde, em especial os recursos humanos e as infra-estruturas, e fortalecer a capacidade institucional da área ambiental.
O diretor regional da OMS espera que, no final da conferência, que termina na sexta-feira, se assine uma declaração com as principais linhas de orientação para uma estratégia conjunta, envolvendo as áreas de saúde e meio ambiente, mas também educação.
Além da OMS, a conferência conta com o apoio do Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep) e do governo do Gabão, entidade anfitriã.
Só em 2002, segundo dados fornecidos pela OMS, os fatores ambientais estiveram associados à morte de cerca de 2,4 milhões de pessoas. A organização acrescenta que os riscos ambientais contribuem em cerca de 25% para o total de doenças no mundo, um valor que aumenta para aproximadamente 35% em regiões como a África Subsariana.