Salvador - Há exatos 40 anos após o lançamento do AI-5, que oficializou a censura e transformou a rotina nas redações de jornais, rádios e TVs de todo o país, os jornalistas Emiliano José, João Falcão, Raimundo Machado, Pacheco Filho, Manuel Canário e Afonso Maciel se reúnem para relembrar a difícil tarefa de reportar a sociedade nos anos de chumbo. O encontro acontece nesta quinta-feira, 28 de agosto, às 19h, na sala zero do prédio central da Faculdade Social, em Ondina. Os profissionais, que atuavam na imprensa e no rádio na época da Ditadura Militar, participam da mesa-redonda "O jornalismo baiano pós AI-5", uma iniciativa do curso de jornalismo da Social, através do projeto Café com Prosa. O evento é aberto ao público e a entrada é franca.
Para o coordenador do curso de Jornalismo, Edson Dalmonte, a proposta da mesa-redonda é provocar uma reflexão sobre a prática jornalística do período pós-1968 e proporcionar à platéia o debate com os profissionais que fizeram a história do jornalismo na Bahia. Dalmonte destaca que, para construir a história do jornalismo, é preciso rever a história do nosso país. "No período da Ditadura, entretanto, isso se faz mais necessário, porque temos que identificar e reconhecer a importância de muitos profissionais, que não se limitaram a sofrer com a presença dos censores, mas tiveram uma posição de enfrentamento, de luta pela liberdade de expressão", destaca. A partir dos depoimentos, a proposta é avaliar também o impacto do AI-5 no jornalismo contemporâneo.