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:: Opinião ::
Análise
A ciência (pode) curar a pedofilia
  • Wellington da Fonseca Ribeiro *
  • Quinta-feira, 21/08/2008 12:52

    Para todo o mal haverá a cura. As ciências mentais podem curar a pedofilia.

    Para toda enfermidade, doença, só a ciência é capaz de encontrar a cura. The cure, a cura. Só o complexo unificado das ciências psíquicas – a psiquiatria avançada, a psicologia e a psicanálise –, análise da mente para tratar distúrbios de alguém e a psicologia com apoio de meios apropriados, especializados, estes, sim, (yes, oui) é o somatório dos conhecimentos adequadamente competentes e capacitados para analisar, examinar, a pedofilia, a necrofilia, o animalismo sexual entre membros de espécies diferentes, temas, assuntos, fatos, ocorrências, onde a ira, o ódio e o grande desejo de vingança falam muito alto na cabeça da população.

    Wellington da Fonseca Ribeiro
    Pedófilo, dicionariamente, quer dizer amigo de criança. Todavia, contemporaneamente, pedófilo, pedofilia, é a pessoa adulta que movida pelo desejo, à vontade, a atração, procura e mantém alguma forma de satisfação sexual, carnal, com criança, geralmente pré-adolescente até 12 anos.

    A população repulsa. Tem ódio profundo a essa prática que se espalha como folhas secas levadas pelos ventos em todas as camadas sociais. O incesto, a incestuosidade, união sexual entre parentes, foi tolerada e mantida por longos períodos em várias famílias e sociedades.

    O incesto que, em tese, é menos repudiado do que a pedofilia e a própria pedofilia, ocorrem na maioria dos casos entre membros de uma mesma prole. Do prisma da competente observação científica – mesmo colocando-se a Medicina na linha de frente, vindo, na seqüência, a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise, a pedofilia é uma doença, um mal, portanto, um desvio passível de tratamento.

    Do ângulo, penal, legal, a pedofilia é crime, a depender do sistema civilizatório e cultural de cada comunidade ou sociedade, rural ou urbana.

    A pedofilia tem que ser examinada com extrema frieza, neutralidade, racionalidade, porquanto, é um assunto elasticamente fino, delicado e que, em muitíssimos casos, ocasionam megatraumas aos membros, agentes e vítimas, dessas famílias. Especialmente a pedofilia doméstica, intrafamiliar, endofamiliar.

    A pedofilia tem que ser vista num contexto sociocultural amplo. É crescente a erotização dos meninos e meninas – televisão, filmes, músicas, literatura, propaganda e, ao lado disso, as transformações, mutações psicobiológicas – menstruação e seios precoces, etc., no caso das jovens.

    A expressão “moça de 12 anos” foi cunhada pelo ministro Celso de Mello, quando presidente do Supremo Tribunal Federal, em noticiadíssimo julgamento de um processo que envolveu um rapaz de 19 anos e uma jovem de 12 anos. O moço era acusado de estupro presumido. O acusado (e homem) foi absolvido. A garota (e mulher) tinha corpo e cabeça suficientes para entender “o congresso carnal” que ambos realizaram. Pela fria lei seria crime pelo fato dele ser maior e ela menoril.

    Reprimir, reprimir, reprimir tem resolvido a questão? Desreprimir, desreprimir, desreprimir também é a melhor solução? Procuremos, então, os pontos de equilíbrio, centrados nos valores humanos da vida.

    Biologicamente podemos verificar através da evolução que a vida é uma transformação continuada dos seres vivos, existindo, seres híbridos – metade de um, metade de outro. A mutação gênica é um fenômeno visível no reino vivo. A vida, portanto, em sua essência, é muito complexa, porém, também, simples e multiforme.

    Movimento, dinamismo, mutação. A evolução incorpora-se à vida em direção à eternidade.

    O binômio sexo e droga numa sociedade crescentemente urbana, contextualizando as instituições familiares, as quais passam por rápidas mutações, transformações, convivências com novos hábitos, costumes e valores são um tremendo vendaval que repercute na vida de todos e de cada um.

    Do ângulo criminal, penal, legal, a pedofilia é crime. A pedofilia é uma doença e um crime. A ordem genericamente não é esta: crime e doença, contudo, doença e crime. Os fatores geradores desse desvio, pelo menos os mais conhecidos, são os de ordem natural, provindos da natureza biológica pessoal de cada elemento que traz uma carga genética com propensão ao que parte da literatura médica chama de tara. Mania. Daí, maníaco, maníaca e maníacos.

    É crescente a erotização de los niños y las niñas. Fato limpo, aberto, é que os jovens brasileiros estão fazendo sexo mais cedo. Mundialmente verifica-se essa tendência. A curiosidade é própria do animal humano: muitas informações chegam para eles no cotidiano dos mais diversos espaços e lugares. Sob um prisma especial podemos afirmar que a sexualidade precoce é parte de um processo que teve início na década de 60. A pílula anticoncepcional surgiu no início dos anos 60, causando mudanças nas vidas das pessoas sexualmente ativas.

    É que a pílula anticoncepcional libertou o lado sexual dos riscos de produção de filhos indesejáveis. Bom para o homem, melhor para a mulher. Houve a desrepressão do corpo, a libertação da sexualidade, a redução de um monte de tabus que foram caindo lentamente. O coito anal, por exemplo, era uma aberração, quase uma anormalidade, uma monstruosidade, quase um crime. Era rigorosamente visto, principalmente nos meios conservadores, como uma espécie de ato sexual contrário à natureza – inclusive nas casas de comércio sexual.

    O mais novo fenômeno social, resultado das matanças sucessivamente crescentes no mundo das drogas nas periferias pobres das grandes cidades, é a existência das viúvas adolescentes entre os 12 e 17 anos, mães, geralmente, de um filho ou dois, cujos os pais, entre os 16 e os 25 anos, foram mortos pela polícia ou nas disputas entre eles mesmos, o que resulta numa pauta especial para a mídia, conselhos tutelares, delegacias de crianças e adolescentes, o conjunto das entidades e órgãos oficiais que se ocupam socialmente da vida menoril.

    Hoje, temos, principalmente nos grandes centros urbanos, dezenas e até centenas de adolescentes que são mães e viúvas, antes dos 18 anos. Boa parte dessas mães que estão no mercado da vida costuma a se relacionar com adultos de ambos os sexos, jovens, coroas e velhos. Além de mais, na atualidade – como no passado e no presente – boa parte dos homens de média idade ou velhos sexualmente fortes, viris, ativos, gostam e até adoram ficar com fêmeas mais novas. É próprio do animal masculino gostar sexualmente de fêmeas mais novas. Por seu lado, as coroas d’agora estão no mesmo ritmo.

    Ainda que as prisões estivessem vazias, será que o tratamento ou o caminho para os pedófilos, para as pedófilas, vítimas, famílias e a sociedade é a cadeia, a vingança, a porrada e as sevícias sexuais? Os cenários pedófilos são conhecidos. A prevenção para que os eventos pedófilos não aconteçam é possível. São vários tipos de pedofilia. Tem o pedófilo natural, inato, que traz a propensão para essa modalidade de satisfação sexual. Há, também, a pedofilia adquirida, oriunda de certos contextos culturais.

    A pedofilia é um capítulo vastíssimo na literatura médica. Temos que abrir essa caixa preta que inferniza milhares e milhões de famílias no mundo inteiro. É preciso alocar recursos para que sejam produzidas pesquisas e trabalhos científicos nesse campo. Num primeiro momento, a pedofilia é um assunto de cada família onde esse desvio ocorre. É da alçada da família quando a pedofilia é doméstica. E, depois, é um problema de saúde pública. Não é, num primeiro plano, de início, um problema de polícia. É coisa para o SUS.

    A vida é e sempre será o maior e o máximo bem da existência. Uma vida, implacavelmente será sempre superior a mais importante e rica das propriedades. Produzir uma vida é um compromisso de vértice, da mais extrema importância, que dois seres humanos podem concretizar.

    A CPI do Senado Federal sobre pedofilia terá que levar em consideração uma gama imensa e cada vez mais elástica de motivações, de todos os naipes, que insuflam o desvio pedófilo. Considerá-la um crime hediondo, aumentando a pena para 20 ou 30 anos, a depender do caso, e todo caso é um caso, é apenas uma medida repressora, superficial e que não toca no âmago do amplo evento pedófilo. Primeiramente, por uma questão lógica, racional, as causas que dão partida à pedofilia é que têm que ser localizadas, encontradas, estudadas e, se possível, para felicidade social, extirpadas, anuladas.

    O Estado e a Ciência devem procurar as causas motivantes da doença. Bem como, a razão da pedofilia ser também considerada um crime. Cadeia não cura pedofilia. Porrada também não. O tratamento do desvio, no entanto, é possível. O mais interessante é que a saúde pública injete recursos para que pesquisas e outros métodos sejam elaborados nas universidades e nos hospitais públicos.

    Por incrível que pareça tem a pedofilia do bem. Paula Lavigne, administradora, mulher inteligente, culturalmente antenada, filha de um renomado advogado carioca, isso eu li em mais de duas entrevistas dela, revelou, com a transparência e absoluta tranqüilidade, que começou sua vida sexual, aos 13 anos, com o mano Caetano Velloso. O compositor tinha idade de ser pai ou um jovem avô dela na época.

    Antonio Almeida, nome fictício, policial reformado, conta-me em segredo que aos 13 anos de idade começou a fazer sexo com uma mulher de 36 anos, carinhosamente seduzido por ela. O militar, com ar de felicidade, garante que foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida. Ele diz que isso o ajudou muito a se dar bem com o sexo oposto.

    Para todo o mal haverá a cura. Encarar a pedofilia na base do “dente por dente e olho por olho” é o que a maioria das pessoas quer para satisfazer o primitivo desejo da vingança.

    A pedofilia é uma longa página na história da sexologia. O desvio acompanha a história humana. É um tema que requer muito estudo, pesquisa, métodos de cura, tudo, evidentemente que possa erradicar ou, pelo menos, minorar os efeitos das várias espécies de práticas pedófilas.

    É um assunto que demanda altos conhecimentos das ciências sexuais. É para ser investigada com muita cautela. A pedofilia, as estatísticas policiais apontam, dá-se na maioria das vezes entre pais, irmãos, primos, avós, netas e netos. É uma prática, na maioria dos casos, intrafamiliar ou endofamiliar. É um tema muito delicado e difícil.

    Antes dos membros da CPI da Pedofilia partirem ávidos para os holofotes, os congressistas devem, diante da explosividade social do tema, procurar assessoramento científico especializado, racionalmente colocando a emoção em segundo plano. Para todo mal haverá cura. A ciência (pode) curar a pedofilia.

    Wellington da Fonseca Ribeiro é jornalista, professor e bacharel em Direito pela USCal em 1987. É Campoalegrense-Remansense (BA).

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