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Escudo Espacial
EUA firmam acordo com Polônia para escudo antimíssil
  • Agência ANSA
  • Quarta-feira, 20/08/2008 - 21:27

    Varsóvia e Moscou - Foi firmado hoje acordo entre os Estados Unidos e a Polônia para a construção de uma base antimíssil norte-americana, parte do projeto do escudo espacial, ao qual a Rússia se opõe e afirmou que reagirá "não só com diplomacia".

    O pacto foi efetuado pela secretária americana, Condoleezza Rice, e o chanceler polonês, Radoslaw Sikorski, em visita à Varsóvia.

    Moscou "se vê obrigado a reagir, e não só por vias diplomáticas", já que "não tem opção" frente ao que considerou ser "tentativas dos Estados Unidos de mudar o equilíbrio estratégico a seu favor", disse o Ministro de Exteriores russo em um comunicado difundido pela agência Itar-Tass.

    A Rússia, que considera o escudo espacial como uma expressão do "expansionismo militar" norte-americano, afirmou que o projeto do escudo estimula "a corrida armamentista" na Europa.

    O acordo, apoiado pela Otan prevê a instalação, antes de 2012, de dez mísseis capazes de interceptar e destruir em vôo mísseis balísticos de longo alcance.

    Os mísseis serão instalados em Redzikowo, a 300 km do enclave russo de Kaliningrado.

    O sistema balístico será coordenado por um potente radar que, segundo os planos, será instalado na República Tcheca, completando um sistema global de defesa antimíssil do qual Washington já instalou algumas estruturas na Groelândia e Grã-Bretanha.

    Washington afirma que necessita implantar o sistema para se defender do que denomina "estados canalhas".

    "É um sistema de defesa que ajudará a enfrentar ameaças de mísseis de longo alcance de países como Irã e Coréia do Norte", explicou Rice.

    "Não creio que esta seja uma nova guerra fria", disse a secretária de Estado, ao negar que os mísseis sejam para reprimir forças russas.

    Entretanto, para Moscou o projeto norte-americano está dotado de um "real potencial anti-Rússia" e "não melhorará em nada a segurança do continente", disse hoje a chancelaria.

    Os radares que prevêem instalar na República Tcheca "poderão explorar praticamente toda a parte européia do nosso país, enquanto que os mísseis interceptores de longo alcance na Polônia não têm nem terão outro objetivo que os mísseis intercontinentais russos", segundo documento lido no pronunciamento chancelaria.

    O escudo "não é mais que um dos instrumentos de um conjunto de projetos militares norte-americanos extremamente perigoso", acrescentou o documento.

    "Apesar da posição da Rússia e o desenvolvimento real da situação político-militar na Europa, o potencial estratégico dos Estados Unidos se aproxima obstinadamente de nossas fronteiras", declarou o ministério.

    Segundo a chancelaria russa, a intenção dos Estados Unidos com a instalação do escudo é abandonar os tratados START sobre armas estratégicas, inclusive atômicas, disse a agência Interfax.

    No entanto, a Rússia "não tem intenção de descartar o diálogo", mas exigirá "gestos reais" e "acordos juridicamente vinculantes" para sua segurança, disse a chancelaria.

    Por sua vez, Rice declarou depois de se encontrar com o presidente polonês, Lech Kaczynski, que a reunião de hoje é "uma jornada histórica".

    A cerimônia para firmar o acordo aconteceu na sede do governo polonês e foi transmitida ao vivo pelas emissoras de televisão pública e privadas do país.

    O premier polonês, Donald Tusk, disse durante a cerimônia que ao ter firmado o acordo, Estado Unidos se comprometem também a garantir uma maior segurança para Polônia mediante a instalação e uma bateria antimíssil de médio alcance do tipo Patriot.

    Segundo a Rússia, os mísseis Patriot "não servirão para proteger de um imaginário perigo iraniano".

    Para Tusk, houve um avanço "importante no campo da segurança da Polônia e Estados Unidos", e ressaltou que haverá uma maior segurança global graças ao escudo espacial.

    Rice remarcou as aspirações polonesas à liberdade "inclusive nos momentos difíceis da história moderna" e acrescentou que com sua adesão à União Européia e à Otan, Varsóvia reforçou seu objetivo.

    O presidente Kaczynski considerou que com o firmar do acordo se alcançou uma das metas estratégicas de seu mandato, a de "bloquear certas influências" no interior da Polônia em relação aos setores políticos favoráveis em privilegiar os vínculos com a Rússia.

    "Sobre esta frente alcançamos 100% de êxito", afirmou o mandatário, que sustentou que hoje é uma jornada importante na história polonesa.

    Enquanto acontecia a cerimônia, fora da sede governamental, dezenas de pessoas protestavam contra a instalação da base antimíssil.

    "Não queremos o escudo", e "não queremos nos converter em escravos do império Bush", foram alguns dos gritos na manifestação contra o projeto.

    De acordo com uma pesquisa realizada para o jornal Gazeta Wyborcza, 46% dos polacos consultados se declararam, em julho passado, serem contrários ao escudo espacial na Polônia, enquanto que 42% se manifestaram a favor.

    Por outro lado, o presidente sírio, Bashar al Assad, em visita hoje e amanhã à Moscou, expressou sua disposição em hospedar em seu território o sistema antimíssil russo Iskander, informou a agência Interfax, que citou uma entrevista ao jornal Kommersant.

    Ante a consulta do jornal sobre a eventual disponibilidade Síria, Assad respondeu que "a princípio dizemos sim".

    AnsaLatina

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