Viena - O fim da "primavera de Praga", a tentativa do governo de Alexander Dubcek de criar um "socialismo com rosto humano", interrompido bruscamente há 40 anos pela invasão soviética à Tchecoslováquia, é recordado hoje como um fato longínquo, com um toque de nostalgia, sobretudo sem grande interesse.
Na noite de 20 e 21 de agosto de 1968, as forças de cinco países do Pacto de Varsóvia -- União Soviética, Polônia, República Oriental Alemã, Bulgária e Hungria -- cruzaram as fronteiras de sua aliada para colocar fim à experiência de "socialismo com rosto humano" começado em janeiro daquele ano com a eleição de Dubcek como secretário do Partido Comunista.
Nessa noite, na qual foi sepultada toda a esperança de reforma no socialismo aplicado no Leste Europeu, Dubcek e os seus desistiram de opor resistência militar, diante de forças muito desproporcionais.
Ainda assim, a invasão foi um banho de sangue: segundo o Instituto Tcheco para o Estudo dos Regimes Totalitários (UTRS), no total 108 pessoas morreram por efeito direto ou indireto da invasão.
A repressão durou quase um ano, até a primavera boreal de 1969, quando se instalaram no poder novos dirigentes alinhados com Moscou e começou o longo inverno da "normalização".
A degradação sistemática dos indivíduos imposta por meio de silêncios forçados foi contada em 1984 por Milan Kundera em "A insuportável leveza do ser", editado em Paris e proibido na Tchecoslováquia.
Hoje, no entanto, os moradores de Praga olham para aqueles fatos como remotos, com uma pitada de resignação.
Para Zbynek Petracek, comentarista do jornal Lidove Noviny, entrevistado pela ANSA, "a primavera de Praga e a invasão são sentidos hoje, surpreendentemente, com escasso interesse".