Aumenta retórica anti-EUA em discurso de dirigentes russos
AGÊNCIA LUSA
Sábado, 16/08/2008 - 00:20
Moscou - Um dia de intensas conversações não conseguiu aproximar as posições das partes em conflito na Ossétia do Sul. Antes, os ataques mútuos aumentam, pelo menos verbalmente.
O presidente russo, Dmitri Medvedev, e a chanceler alemã, Angela Merkel, se reuniram em Sochi, cidade russa perto da zona do conflito, mas não chegaram a um acordo sobre nenhum dos pontos discutidos.
"O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, e a chanceler alemã, Angela Merkel, não souberam encontrar um ponto de contato durante a discussão sobre a Ossétia do Sul. Na entrevista coletiva conjunta depois do encontro, cada um falou de suas posições, confirmando que não se chegou a um acordo nas avaliações das causas e conseqüências do conflito militar", considera a agência oficiosa russa Ria Novosti.
Merkel considerou "desproporcional" a intervenção militar russa no Cáucaso, defendeu a integridade da Geórgia e a rápida retirada das forças armadas russas do país.
Medvedev, por sua vez, disse possuir provas de que a reação russa não poderia ser outra, defendendo a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul e a manutenção de tropas russas na região.
Fonte diplomática contatada em Moscou pela Agência Lusa chamou a atenção para o fato de a retórica antiamericana e antigeorgiana estar aumentando na Rússia em todos os níveis, sublinhando que o próprio Medvedev "entrou nessa onda".
"O discurso do presidente Medvedev está se aproximando, pela dureza das palavras, do tom das declarações do primeiro-ministro Vladimir Putin. O chefe do Kremlin começa, tal como seu antecessor, a recorrer a palavras pouco diplomáticas como 'conto de fadas', 'idéias idiotas'", considera a fonte.