San Pedro - Com o objetivo de pressionar o futuro governo do ex-bispo Fernando Lugo, camponeses sem-terra e pequenos produtores das regiões mais pobres do Paraguai estão organizando invasões massivas às grandes fazendas, em sua maioria propriedades de brasileiros, como constatou a reportagem da ANSA no local.
Dezenas de acampamentos se levantam frente aos latifúndios, coordenados por várias organizações camponesas, com o objetivo de pressionar Lugo pela reforma agrária e contra o uso de agrotóxicos.
Desta forma, os camponeses pretendem que o novo governo realize seu projeto de ajuda aos camponeses de San Pedro Norte, território empobrecido do centro do país, onde Lugo, ex-bispo, tinha sua diocese entre 1994 e 2006.
"Ele conhece a situação e está de acordo conosco. Confiamos em Lugo, nós o respaldamos. Votamos nele, porém não acreditamos em quem o rodeia, em especial no Partido Liberal Radical Autêntico, um partido de direita sem moral", afirmou à ANSA o dirigente Elbio Benítez, porta-voz da Coordenação de Produtores Agrícolas de San Pedro Norte.
Segundo Banítez, 30 mil camponeses estão mobilizados para iniciar a luta pela reforma agrária. "Vamos pressionar Lugo para que possa defender os camponeses paraguaios de San Pedro Norte".
"A situação é gravíssima. Existe um uso indiscriminado de agrotóxicos na região. Os animais morrem porque os rios estão rodeados de fazendas que utilizam esses agrotóxicos e estão provocando danos severos à saúde", afirmou à ANSA o vigário de San Pedro, Celso Mena Maidana.
Os protestos também vêem de pequenos produtores cujas terras ou povos ficaram rodeados de fazendas que utilizam, segundo eles, agrotóxicos proibidos pela lei, causando graves problemas à saúde.
Os camponeses declaram que os agrotóxicos ilegais causam enjôo e problemas respiratórios, além de matar os animais. "Quando protestamos, chegam os capangas em uma caminhonete com armas pesadas", acusa um camponês