Surto de cólera esgota capacidade de atendimento em Bissau
AGÊNCIA LUSA
Quinta-feira, 14/08/2008 - 14:46
Bissau - A epidemia de cólera que afeta a Guiné-Bissau esgotou a capacidade de atendimento do Hospital Simão Mendes, na capital do país, onde os doentes estão deitados em macas ao longo de varandas cobertas que rodeiam o edifício principal.
"Temos cerca de 400 camas, mas menos de metade estão disponíveis. Temos dois blocos em obras de reabilitação", afirmou Agostinho Semedo, diretor do hospital, em declarações à Lusa.
A situação agravou-se porque as obras, que estão paradas há vários meses, deveriam ter sido concluídas em dezembro de 2007 e não há qualquer previsão para o término.
Apesar das dificuldades, o ambiente é calmo e sossegado no alpendre do hospital, que já recebeu cerca de 1.500 pessoas com cólera desde o final de junho. Doze pessoas morreram nesse período.
A epidemia começou em maio no sul da Guiné-Bissau, mas se alastrou por todo o país, tendo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) doado recentemente mais de 300 milhões de francos CFA (R$ 1,1 bilhão) para apoiar o governo no combate à doença.
"Esta epidemia ultrapassou a capacidade do hospital", admitiu o diretor da unidade de saúde, alertando que o problema tende a ser agravado porque "a epidemia ainda está a crescer" devido às fortes chuvas que continuam a cair diariamente em Bissau.
Para minimizar o problema da falta de espaço no hospital, uma enorme tenda doada pela Unicef está sendo montada. Lá serão abrigados "os doentes que se encontram em fase de recuperação".
A tenda também permitirá proteger os doentes dos mosquitos e do frio da noite. Durante o dia, o alpendre fornece sombra que permite enfrentar melhor o calor úmido e sufocante da capital guineense.