Moscou e Bruxelas - O governo russo advertiu hoje à Geórgia que "esqueça" de seus protestos sobre "integridade territorial" já que, como considerou, é "impossível obrigar a Ossétia do Sul e a Abkhazia a aceitarem a idéia de um regresso forçado ao estado georgiano", mas a União Européia (UE) sustentou o contrário.
A discussão sobre ambos territórios está no centro do lance entre Rússia, Ocidente e na mão dos Estados Unidos que defende o governo da Geórgia, seu aliado, na região afetada pelos combates onde se multiplicam os informes sobre a situação dramática dos 115 mil deslocados.
"Podem esquecer qualquer conversa sobre integridade territorial da Geórgia porque considero impossível obrigar a Ossétia do Sul e a Abkhazia a aceitarem a idéia de um regresso forçado ao estado georgiano", disse o chanceler russo, Serguei Lavrov.
O ministro acrescentou que as tropas russas "estão prontas para cooperar com os observadores internacionais para examinar propostas sobre o aumento do número desses observadores na Ossétia do Sul. Um controle maior não será inútil sobre os perímetros da zona de segurança", indicou Lavrov.
O presidente Dmitri Medvedev, no entanto, recebeu hoje os mandatários de Abkhazia, Sergei Bagapsh, e da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, para anunciar o apoio "imutável" de Moscou à decisão dessas repúblicas em separar-se de Tbilisi.
Medvedev disse que "apoiaremos qualquer decisão que seja tomada pelos povos da Ossétia do Sul e da Abkhazia em acordo com o estatuto da ONU, a convenção internacional de 1966 e o ato de Helsinki sobre a segurança e a cooperação na Europa".
A Rússia "não só apoiará, mas será fiadora seja no Cáucaso ou no mundo", sobre a decisão de ambos povos, afirmou o presidente.
Os dirigentes firmaram um plano de cessar-fogo de seis pontos acordado pelo presidente russo com seu colega francês e chefe da União Européia, Nicolas Sarkozy.
No entanto, a União Européia reiterou hoje seu pronunciamento a favor da integridade territorial da Geórgia.
"Está fora de discussão", disse hoje a porta-voz da Comissão da UE, Krisztina Nagy.
A Comissão da UE se referiu "muito claramente" ao tema nas conclusões assumidas pelos ministros de Exterior do bloco em sua reunião extraordinária de quarta-feira, explicou a porta-voz.
A porta-voz, além do mais, recordou que terão "discussões internacionais" tanto sobre as duas repúblicas separatistas, como sobre o envio de uma missão de verificação.
Por sua vez, Estados Unidos mantêm seu compromisso de garantir uma Geórgia "soberana, livre e com sua integridade territorial", disse o presidente George W. Bush aos mandatários da Ucrânia e Lituânia, com quem manteve consultas, informou a Casa Branca.
Também, hoje pareceu abrir-se outra frente no conflito que tem como tela de fundo a intenção de Moscou em não perder sua influência nas ex-repúblicas soviéticas e a da Geórgia participar da OTAN, incentivada por Washington.
A Ucrânia de Viktor Iushenko -- pró-ocidental -- decretou restrições aos movimentos da frota russa no Mar Negro, estacionadas na base de Sebastopol, alugada até 2017.
O comando russo reagiu com certo desprezo ao afirmar que suas forças armadas têm um só comandante-chefe, o presidente da Federação russa, e não estão submetidas, em base a acordos firmados em 1997, a qualquer sub-jurisdição de Kiev.