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Em Pequim, local que abrigava antigas fábricas vira reduto de artistas e turistas
  • Mylena Fiori, da Agência Brasil
  • Quinta-feira, 14/08/2008 - 17:29

    Pequim (China) - Dezenas de galerias, lojas, livrarias, cafés e restaurantes povoam as antigas fábricas do Distrito 798, no Noroeste de Pequim. A região – comparada pela mídia internacional com o Soho nova-iorquino (bairro no qual se concentram galerias e boutiques famosas) – até bem pouco tempo estava ameaçada de ir abaixo para abrigar um centro de alta tecnologia. Para os Jogos Olímpicos, ganhou placas indicativas em inglês, um centro de atendimento a turistas e até uma página na internet. Sinal dos tempos.

    Fala-se que o Distrito 798 já recebe mais turistas que a Cidade Proibida. Também é destino de galeristas e colecionadores do mundo todo, em busca dos novos talentos da arte contemporânea chinesa. E dos yuans (moeda chinesa) do mercado que mais cresce no mundo.

    Mas essa história é recente. E polêmica. Tudo começou em meados dos anos 90, quando a Academia Central de Belas Artes se instalou em um galpão abandonado de um antigo complexo industrial no Distrito de Dashanzi, distante cerca de 20 quilômetros do centro de Pequim. As fábricas foram construídas nos anos 50 por Mao Tse-Tung, com ajuda do governo soviético e de arquitetos e engenheiros da antiga Alemanha Oriental, em uma área de 500 metros quadrados.

    Abandonado havia décadas, o charmoso endereço foi descoberto pela Academia Central de Belas Artes e passou a atrair a vanguarda artística de Pequim na virada do milênio. O primeiro a ir para lá foi o fotógrafo Xu Yong, que conheceu o lugar em 2002 e se apaixonou. Alugou e reformou a antiga fábrica 798, e o lugar que originalmente produzia eletrônicos passou a abrigar uma galeria de 1380 metros quadrados chamada Espaço 798.

    Depois dele vieram outros, e mais outros, atraídos pelo charme e pelo baixo custo do aluguel, transformando galpões em lofts, onde viviam e praticavam suas artes. Em 2003, em plena epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), uma grande exposição sobre a doença despertou os olhares da mídia sobre o gueto das artes. Foi o que bastou.

    Em menos de cinco anos, o aluguel no Distrito 798 saltou de 0,60 yuans (R$ 0,15) o metro quadrado por dia para 6, 7 e até 8 yuans. Wen Li, gerente do Espaço 798, conta que há uma fila para alugar um espaço no antigo complexo industrial – a maioria dos interessados, estrangeiros. “No início, não imaginávamos que o 798 se tornaria o que se tornou”, diz.

    A maior parte do grupo de cerca de 40 artistas que inicialmente se instalou ali foi embora, e os ateliês cederam lugar a espaços comerciais. Tudo está mais organizado e mais limpo, descreve Wen Li. Um pouco artificial, ela reconhece. Mas também tem seu lado positivo.

    “Por um lado, os artistas tiveram que ir embora. Por outro, tem mais comércio e isso está atraindo galerias internacionais que mostram aos chineses a arte de outros países, e isso serve como referência”, avalia. “Assim a China pode chegar a um nível ainda mais alto na sua produção artística”, acredita.

    Enquanto isso, os turistas se divertem na disneylândia da arte contemporânea chinesa.

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