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Demarcação de reserva ameaça investimento na Bahia
  • AGÊNCIA LUSA
  • Quinta-feira, 14/08/2008 - 21:39

    Brasília - Investidores estrangeiros, entre eles a portuguesa proprietária do Tauana Hotel, no litoral sul da Bahia, estão apreensivos com a possibilidade de perderem seus empreendimentos devido à demarcação de terras indígenas na região.

    Em 2003, a arquiteta lusa Ana Catarina Ferreira da Silva comprou um terreno com 23 hectares em Corumbau, perto do Parque do Descobrimento e do Parque Nacional do Monte Pascoal. O hotel, cuja construção começou em 2004, fica de frente para o mar e foi inaugurado em janeiro de 2006.

    "Eu investi R$ 5 milhões na construção do hotel. Consegui o título do terreno, o alvará de construção, a licença ambiental e, em nenhuma altura, me foi dito que se tratava de uma área indígena", afirmou Ana Catarina à Agência Lusa.

    A empresária afirma que só foi contatada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em outubro do ano passado, quando foram cadastrados os não-indígenas que viviam na região das aldeias Cahy e Pequi. A área, com cerca de 28 mil hectares - sendo 40 quilômetros de praia -, engloba pousadas e hotéis.

    "Infelizmente, somos vistos como lobos maus. Mas a nossa relação com a comunidade nativa é muito boa, não existem conflitos e, se houver a demarcação, quem vai perder mais será a própria região", considera Ana Rita.

    Segundo a arquiteta, atualmente, há mais de 150 trabalhadores com carteira assinada da ponta do Corumbau até o rio Cahy, e o turismo pode morrer na região se os empresários tiverem que deixar a área.

    Contatada pela Lusa, a Funai informou que os estudos para delimitar a reserva indígena de Cahy Pequi começaram em setembro de 2005.

    Como o primeiro relatório antropológico não foi esclarecedor, a instituição pediu, em novembro de 2006, a complementação das análises.

    "Ainda não temos previsão de quando os estudos serão concluídos, mas é muito importante aguardar a publicação, nos diários oficiais da União e do estado da Bahia, do relatório que vai discriminar a localização e a área da terra indígena", afirmou a assessoria de imprensa da Funai.

    A Funai lembra que a Constituição brasileira determina que, em terras indígenas, o direito pelo usufruto da terra e dos recursos naturais é exclusivo dos índios.

    No entanto, a fundação admite que pode haver negociações de compensação financeira para que os investidores mantenham seus empreendimentos na área.

    "Tudo depende de como será conduzido o processo. Em muitos casos, os empreendimentos, especialmente os mais antigos, são considerados durante o estudo para que não sejam inclusos como parte da terra indígena", destacou a assessoria de comunicação do órgão.

    O órgão destacou ainda que, após a divulgação do relatório, há um período de contestação das partes interessadas. É o que está ocorrendo atualmente em Barra Velha, no extremo sul da Bahia.

    O relatório antropológico sobre a demarcação da secular aldeia de Barra Velha já foi publicado, pré-delimitando cerca de 53 mil hectares como território indígena, mas empresários brasileiros e estrangeiros estão contestando para não perderem os investimentos feitos em hotéis, pousadas e restaurantes.

    O embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, advertiu sobre a insegurança jurídica que este tipo de problema gera para os investidores estrangeiros.

    "Não posso deixar de considerar altamente preocupante a insegurança jurídica que este tipo de problemas acarreta a quem, com total boa fé, investiu seu capital na execução de um empreendimento turístico de grande qualidade e que é uma manifesta mais-valia para a oferta turística do nordeste brasileiro", afirmou o embaixador à Agência Lusa, em referência ao Tauana Hotel.

    Seixas da Costa está fazendo diligências junto aos governos federal e baiano para tentar resolver o problema e tem alertado as autoridades brasileiras que esses obstáculos têm um "efeito de perda de estímulo nos potenciais investidores estrangeiros".

    O diplomata garantiu que vai manter o assunto na agenda de discussão com o Brasil.

    Seixas da Costa não descarta a possibilidade de fazer uma ação conjunta com embaixadas de outros países, já que também investidores italianos e belgas se encontram na mesma situação no sul da Bahia.

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