Vaticano condena medidas contra mendincância na Itália
Agência ANSA
Sexta-feira, 08/08/2008 - 20:23
Roma - O presidente do Conselho Vaticano da Justiça e da Paz para os Migrantes, cardeal Renato Martino, considerou "inaceitáveis" as medidas contra a mendicância aprovadas por várias cidades italianas, recordando que mendigar é um "direito fundamental"
Martino, em entrevista ao Corriere della Sera, disse concordar com o combate "à exploração criminosa da esmola, mas sem infringir o direito de pedir ajuda".
O cardeal defendeu que proibir a mendicância serve apenas para "esconder" a necessidade, ao invés de "responder" a ela.
Cidades como Roma e Veneza anunciaram medidas que proíbem mendigar nos centros históricos e, caso esse lei seja transgredida, haverá a aplicação de multas de 50 a 500 euros, com o objetivo de evitar "transtornos" aos cidadãos e visitantes.
O representante do Vaticano afirmou que não julga as razões individuais dessa decisão, mas considera "inaceitável a proibição de pedir esmola em geral. Vejo uma tentação para fechar os olhos e olhar para o outro lado. As autoridades deveriam ajudar a população a pensar sobre o verdadeiro alcance da necessidade não coberta por nenhuma forma de previdência social", refletiu o representante do Vaticano.
Com relação à proibição de revirar o lixo -- "prática que colocaria em risco a higiene ao ambiente urbano", como aponta o jornal italiano --, o cardeal diz que se "as pessoas para sobreviver precisam remexer no lixo, isso é muito mais grave que a higiente ambiental".
"Mendigar é um direito fundamental para os que têm fome e frio. O verdadeiro pobre tem o direito de fazer o que puder para conseguir um pedaço de pão e pedir ajuda ao próximo", destacou Martino.