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Educação
Professores enfrentam desafios para garantir projeto de escolas bilíngües
Sexta-feira, 08/08/2008 - 15:42

São Borja (RS) - Além da barreira lingüística e cultural, os professores brasileiros de São Borja (RS) que participam do projeto Escolas Bilíngües de Fronteira enfrentam outros desafios para garantir a execução do programa. Muitos sentem falta de um treinamento prévio antes de se aventurarem nas salas de aula argentinas.

“A gente tentou até conseguir um curso de espanhol, não para falar em espanhol com os alunos, mas para entender o que eles falam. No começo, sinceramente, eu não entendia nada do que eles estavam falando”, conta Marla Borowski, professora da Escola Municipal Aparício Mariense.

A coordenadora do projeto no Ministério da Educação, Roberta Oliveira, explica que o choque inicial da língua é proposital. “A ideia é essa, que as professoras passem pelo mesmo processo que as crianças passam, aprender na imersão e na cultura dentro da escola, em conjunto”, explica.

Em 2009, o projeto será expandido para Uruguai e Paraguai e, segundo Roberta, não há previsão de cursos de espanhol ou de algum tipo de formação para as novas turmas de professores brasileiros. “Talvez seja um pouco sofrido no começo porque o professor tem uma idéia de que ele precisa levar tudo pronto e estar absolutamente seguro do que vai fazer lá, tudo muito planejadinho”, diz. As orientações serão apenas a respeito da linha pedagógica do projeto.

Segundo as professoras da Escola Municipal Aparício Mariense, no início das atividades, até o transporte para o outro país faltava. “O projeto deu certo porque desde o começo a gente vestiu a camisa, mas as dificuldades eram muitas”, explica Marla. A professora Ondina Silva, também da Aparício Mariense, conta que sem uma formação anterior, as primeiras aulas foram como “entrar em um quarto escuro”.

Do lado argentino, as professoras recebem um adicional no salário para desenvolverem o trabalho bilíngüe, mas no Brasil a remuneração das professoras continua a mesma, o que deixa algumas descontentes. A coordenadora do projeto afirma, entretanto, que as questões salariais são atribuições do município.

“O MEC não pode pagar professor quem faz isso é o município. Quando a gente convida o município para entrar a gente pede que ele disponibilize horas de trabalho para o planejamento e o deslocamento do professor. A gente não pede que ele tenha um aumento de salário porque a carga horária é a mesma. Em vez de trabalhar na escola brasileira ele [professor] trabalha na Argentina”, explica. Segundo Roberta, não houve nenhuma negociação com o Ministério da Educação argentino para o pagamento extra.

Dificuldades à parte, as professoras destacam que os resultados do projeto motivam a continuação do trabalho. “Nós aprendemos muito com eles e eles com a gente. Quando ele nos enxergam, correm para nos abraçar e nos beijar. Isso que a gente só se vê uma vez por semana. Então o nosso trabalho está sendo válido”, acredita Marla.

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