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Confronto
Governo boliviano fala em possível golpe de estado
  • Maurizio Salvi, da Agência ANSA
  • Quinta-feira, 07/08/2008 - 23:35

    La Paz - Está aberto na Bolívia o confronto entre o governo central e os departamentos (estados) da chamada meia-lua do sudoeste (Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando), que se opõem em todos os âmbitos à política de Evo Morales e, em particular, ao referendo dos mandatos de presidente e governadores, que acontecerá domingo.

    Desde que, em janeiro de 2006, tornou-se o primeiro índio a ser eleito chefe de Estado na América Latina, Morales deu início a uma política social contra a pobreza e o analfabetismo, lutando contra o narcotráfico, nacionalizando o petróleo e limitando o sigilo bancário.

    Sua política tem sido duramente criticada pelo que o presidente define como "a sabotagem dos conservadores". Dramatizando o conflito existente, hoje o ministro da Presidência, Juan Ramon Quintana, falou explicitamente em "possível golpe".

    Referindo-se aos violentos incidentes ocorridos nos últimos dias nos estados de Beni, Pando, Santa Cruz e Tarija, Quintana sustentou que "a estratégia não é tanto a de frear os referendos, mas de destituir o presidente da República e abater a ordem democrática".

    O ministro ressaltou que a utilização de recursos vindos dos governadores da oposição para permitir os deslocamentos de grupos de manifestantes, "constituem o prelúdio de um golpe, e é o mesmo que acontecia nos golpes de Estado nos anos 80".

    Há dias, a desordem vem se multiplicando por meio de greves e manifestações de protesto nas cidades do sul e do oeste bolivianos para impedir a chegada do chefe de Estado e de seus ministros empenhados na campanha eleitoral para o referendo.

    Ainda nesta quinta-feira, um grupo de funcionários do governo do estado de Pando e representantes do movimento dos professores rurais ocuparam o aeroporto Capitan Anibal Arab Fadul, de Cobija, para impedir a aterrissagem do avião que trazia a bordo Morales e expoentes de seu governo.

    Governadores dos estados mais ricos da Bolívia querem mostrar que Morales não é aceito e que não faz uma política para todos os bolivianos, mas só para os índios. Neste sentido, teve impacto sobre a opinião pública a posição da governadora de Sucre, Savina Cuellar, uma índia que militou no Movimento ao Socialismo (MAS), mas agora aliada à oposição radical ao governo.

    A oposição ao presidente atingiu níveis inéditos, chegando ao ponto de o governador de Santa Cruz, Ruben Costas, ter definido Morales como "a besta do Altiplano". Costas aderiu a uma greve de fome contra a redução dos royalties dedicados pelo governo a financiar projetos sociais.

    Neste difícil clima, as forças armadas, que festejaram hoje em Cochabamba seu 183º aniversário junto a expoentes dos 36 povos originários da Bolívia, deram ao chefe de Estado um forte apoio.

    "As forças armadas são a garantia da democracia, conceito que implica o preceito constitucional de garantir a estabilidade do governo legalmente constituído, em particular, nesta importante fase de radicais mudanças", declarou o general Luis Trigo Antelo.

    Tomando a palavra antes do início da parada militar, Morales exaltou o processo de nacionalização dos recursos naturais da Bolívia, acusando seus opositores de quererem questioná-lo para favorecer os interesses privados que, por 500 anos, "mantiveram escravo o povo boliviano".

    "As ditaduras dos anos 60 e 70 foram substituídas por grupos que ocupavam aeroportos e atiravam nos carros dos ministros. São pequenos grupos, mas muito radicais aos quais segue a advertência: não tentem boicotar o processo de referendo do próximo domingo, momento muito importante da nossa revolução democrática", concluiu.

    AnsaLatina

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