Pequim - Os dias têm sido bem proveitosos para a seleção feminina de basquete desde que chegou a Pequim para os Jogos. O técnico Paulo Bassul teve tempo para treinar a equipe e acertar os pontos que julgava falhos e a certeza de poder contar com a ala Micaela (recuperada de um estiramento na coxa sofrido no início da preparação, em São Paulo). A pivô Kelly, que veio direto da WNBA, está cada vez mais adaptada ao sistema tático e armadora Adrianinha mostrou, no jogo treino contra a Espanha na última segunda-feira, 4 de agosto, que está totalmente curada de uma pneumonia.
Aos poucos, desde que o time saiu do Brasil rumo à Austrália na fase de aclimatação, os pensamentos do treinador tomaram forma. "Fizemos o que era possível em cada etapa. Essa viagem foi boa para as meninas se acostumarem com o fuso e também para fazer dois amistosos contra um time de nível: a Austrália, atual campeã mundial e jogando completa", disse. "Foi bom porque fizemos muita força pra jogar, por causa do fuso. O time no começo estava bem lento, pesado. Foi mais para quebrar o gelo mesmo. E jogaremos contra elas na primeira fase. Mas escondemos um pouco nossos truques e guardamos para a hora certa", brinca Adrianinha.
Micaela conta as horas para entrar em quadra depois de passar boa parte da preparação sendo poupada. "Agora é superação, mas o time tem um astral muito bom. Serão meus primeiros Jogos. Mesmo as mais experientes, como a Dri (Adrianinha) e a Kelly, que já estão na terceira, só agora vão jogar mesmo", destaca. Adrianinha concorda. "Em Sydney eu era bem nova e tive pouco tempo de quadra. Agora vou poder ajudar mais."
Sob o comando tranqüilo de Paulo Bassul, as meninas do Brasil sabem que terão um caminho difícil pela frente. Que já começa contra a Coréia do Sul, sábado, 09 de agosto, às 16h45 (5h45 horário de Brasília). "Em Jogos Olímpicos, não se pode olhar muito longe e esquecer do hoje", diz o treinador. O plano inicial é se classificar entre os três primeiros do grupo. "Não queremos ficar em quarto para fugir dos EUA. Mas vamos pensar num jogo de cada vez", acrescenta.
A ala Micaela tem uma receita para a estréia. "Nossa chave é muito forte, então temos que estar concentradas. Se a Coréia é, talvez, a mais fraca do grupo, isso não quer dizer muita coisa. Elas matam bola como água e por isso a marcação tem que correr. Haja perna." Bassul concorda. "A escola oriental tem uma técnica diferente de arremesso e as coreanas são boas nisso, além de muito velozes. A bola de três delas é forte, então, se elas acertam algumas seguidas, estão sempre no jogo. Não podemos descuidar", frisa o treinador.
Bassul ainda não sabe ao certo o quinteto que mandará à quadra, mas ressalva que isso não importa. "Micaela e Kelly se juntaram depois ao grupo. A Chuca também fez bons amistosos. Pelo sistema de jogo e rotatividade que fazemos, acho que saber quem são as titulares é uma questão secundária."