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Estratégia
Agentes comunitários de saúde são essenciais no primeiro atendimento
Quinta-feira, 07/08/2008 - 08:35

Brasília - Em 15 anos da Estratégia Saúde da Família (ESF), anteriormente conhecido como Programa Saúde da Família, o número de agentes comunitários de saúde, que atuam nas 28,3 mil equipes do programa em todo o Brasil, já passou dos 218 mil. Para o secretário de Saúde de Janaúba (MG), Helvécio Albuquerque, essas pessoas são essenciais para o sucesso da estratégia de atenção básica à saúde.

Albuquerque afirma que os agentes entendem e traduzem os problemas da comunidade para a equipe a fim de "que as tecnologias inerentes à atenção primária possam ser aplicadas com credibilidade”.

Pelo menos uma vez por mês, os agentes comunitários visitam as famílias atendidas pela equipe da Saúde da Família. Treinados para esse atendimento e para esse contato inicial, mais próximo à comunidade, eles podem inclusive resolver problemas mais simples, como orientações para casos de hipertensão, diabetes e obesidade.

Desde que implantou a ESF, em 1999, o município de Janaúba registrou uma queda na mortalidade infantil de 31 para 4,1 mortes para cada mil nascidos vivos. “Sem agente comunitário de saúde nunca isso teria acontecido”, ressalta.

Zildomar Antônio Araújo é agente comunitário em São Domingos do Capim (PA) desde janeiro de 2001. Ele conta que o trabalho desses profissionais tem ajudado na descoberta de doenças que não eram precebidas pelas pessoas da comunidade e, por falta de tratamento adequado, acabavam levando muita gente à morte. “Com nossas visitas, a gente vai identificando casos suspeitos, a gente encaminha ao médico, a pessoa vai, faz a consulta e tem um bom resultado”, diz.

A mesma percepção tem Gessiane Gomes dos Santos, que desde 2001 é agente em Tomé Açu (PA). Ela lembra que os principais problemas enfrentados no município eram desnutrição, hanseníase e tuberculose, as duas últimas principalmente, porque eram pouco conhecidas pela população.

“Com o programa [Saúde da Família], nossa prevenção melhorou muito. Haviam muitos casos de pessoas eternamente nos hospitais, internadas, doenças não conhecidas e com o programa da família, juntamente conosco [agentes], que somos o núcleo de tudo isso, conseguimos prevenir essas doenças”, afirma.

A rotina, nem sempre é fácil, de acordo com Maria Nildener Damasceno, agente de saúde em São Francisco do Pará (PA). Mas, segundo ela, a atividade é recompensadora. “Quando eu vejo um trabalho que eu já estou desenvolvendo há dez anos, eu me sinto privilegiada, principalmente no meu município, pela saúde ter melhorado cerca de 70%. Hoje, se você tem um paciente que não pode ir até o posto, a equipe vai até o paciente”, conta.

Eliana Mendes da Cruz, agente comunitária em São Paulo (SP), relata outros problemas, como a falta de médicos em algumas equipes da capital paulista e o que ela sente como descaso das autoridades com os profissionais.

“Nós somos psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras, orientadores, falamos de tudo. O nosso salário está defasado, um salário [mínimo] e meio, o que é isso? A gente consegue até cadeira de rodas, que não é nosso trabalho, cesta básica para ajudar as famílias, o pessoal chora, desabafa, e até hoje eu não vi uma autoridade fazer nada pela saúde mental do agente de saúde, pelo nosso bem-estar”, reclama.

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