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Jornal consegue falsificar novos passaportes britânicos
  • Agência ANSA
  • Quarta-feira, 06/08/2008 - 15:14

    Londres - O jornal londrino The Times revelou ter conseguido em poucos minutos falsificar o passaporte de dois cidadãos britânicos, substituindo os dados pessoais registrados no chip do documento pelos de Osama Bin Laden e de uma terrorista palestina morta em 2003.

    "É exatamente aquilo que não deveria ocorrer. Um recém-nascido se tornou Bin Laden", publicou nesta quarta-feira o jornal que com a ajuda de Jeroen van Beek, especialista em informática da Universidade de Amsterdã, alterou os documentos do filho de um fotógrafo do jornal - de 16 meses de idade - e da mulher do repórter responsável pela matéria - Suzanne Hallam - , utilizando a tecnologia largamente disponível em qualquer loja de computadores.

    O procedimento é simples. Com um aparelho eletrônico de 40 libras esterlinas van Beek lê os dados registrados no chip do passaporte. Não deveria ser possível, pois as informações são criptografadas, mas Adam Larie, um especialista britânico em computação, descobriu como descriptografar o código 18 meses atrás.

    Van Beek então copiou o conteúdo do chip original em um outro chip - 10 libras esterlinas - e o testou com o software usado pela Organização Internacional de Aviação Civil (Icao) para ver se era reconhecido como autêntico, e o chip clonado passou no teste.

    Neste ponto o especialista holandês modifica, em seu computador, os dados pessoais dos dois cidadãos britânicos fora trocados, no lugar da foto do bebe foi carregada a de Bin Laden, enquanto no chip de Suzanne foi colada a fotografia de Hiba Darghmeh, uma terrorista palestina morta em 2003 durante um ataque suicida.

    Nesta última passagem foi alterada a matriz do chip, mas este problema também pôde ser solucionado quando van Beek usou sua técnica para reprogramar o código.

    Bastaria assim ter um passaporte "em branco" - como aqueles 3 mil roubados poucos dias atrás na Grã-Bretanha, lembra o The Times - ou um falso no qual implantar o chip falsificado para viajar pelo mundo com a identidade que quiser.

    "Não se pode certamente dizer que os terroristas são capazes deste procedimento para falsificar todos os passaportes", disse Van Beek, "mas seguramente este episódio suscita dúvidas sobre como s procedimentos de segurança são geridos".

    O sistema "e-passport" custou aos contribuintes britânicos mais de 250 milhões de libras esterlinas. O ministério do Interior, por sua vez, liquidou o experimento do The Times sustentando que os leitores eletrônicos das fronteiras apontariam eventuais anomalias.
    AnsaLatina

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