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:: Especial ::
Espanha
Imigrantes fazem cirurgia plástica para evitar preconceito
  • Francesco Cerri, da Agência ANSA
  • Segunda-feira, 04/08/2008 - 15:15

    Madri - Para vencer o racismo, mude de rosto. Esta talvez seja a motivação de centenas de imigrantes na Espanha, muitos deles sul-americanos, que todos os anos recorrem à cirurgia plástica para cancelar as características étnicas mais evidentes de seus rostos. Desta forma, ficam mais parecidos com os europeus.

    O jornal espanhol El Pais, que publicou uma reportagem sobre o fenômeno, cita o exemplo de Orly Cuzco, um equatoriano de 28 anos que pagou 4,2 mil euros a um cirurgião de Madri para que modificasse seu rosto. "Eram muito fortes em mim os traços do povo inca. Agora chamo menos a atenção", explicou Cuzco ao jornal.

    Nos últimos tempos, diversos episódios de violência contra imigrantes equatorianos foram noticiados na imprensa espanhola. Na última sexta-feira, ganhou as manchetes das principais publicações do país a notícia do espancamento de uma jovem equatoriana de 14 anos, que foi agredida a socos e pontapés no rosto e em todo o corpo, enquanto os agressores, jovens espanhóis da mesma idade da garota, gritavam: "matem-na". A cena foi filmada por uma câmera de celular e difundida na internet, levantando novas questões sobre o crescimento do racismo no país.

    Segundo a Ruminahui, associação dos imigrantes equatorianos na Espanha, "estas agressões de cunho racista se tornaram cotidianas na Espanha, mas são ignoradas. Muitas vítimas têm medo de denunciar".

    Meses atrás, a agressão de uma outra garota equatoriana no metrô de Barcelona também foi filmada e difundida via internet. Nos dois casos, ninguém interveio em socorro da vítima. Esses episódios ajudam a entender porque o recurso à cirurgia plástica para "ocidentalizar as feições" é um fenômeno em contínuo crescimento entre os imigrantes sul-americanos, segundo informa o El Pais.

    "Muitos clientes chegam com a desculpa de querer reparar um defeito, mas o que querem na realidade é corrigir narizes largos e atenuar os traços que identificam a sua nacionalidade", explica o cirurgião Diego Tomas, ressaltando que "se verifica um importante aumento do número desse tipo de paciente nos últimos anos".

    O presidente da Sociedade Espanhola de Cirurgia Plástica (Secpre), Antonio Porcuna, confirma o aumento dos pacientes que "querem um nariz mais europeu". E o fenômeno pode ser até maior, pois muitos imigrantes sul-americanos aproveitam as férias em seus países para fazerem cirurgias plásticas a preços mais acessíveis, que variam de 570 a 900 euros, de acordo com o El Pais. As correções mais procuradas são: o retoque no nariz, o arredondamento do queixo ou dos olhos.

    O fenômeno, explica o jornal, já é bastante difundido na Austrália e nos Estados Unidos, onde muitos cirurgiões se especializaram na "ocidentalização" dos olhos dos imigrantes chineses e japoneses.

    AnsaLatina

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