Salvador - Quase duzentas pessoas entre empresários, representantes de ONGs e estudantes baianos se reuniram nesta quinta-feira (24), para participar do Seminário Ética e Transparência nas Empresas de Pequeno Porte, realizado pelo Instituto IRIS e Sebrae no Fiesta Bahia Hotel.
O diretor do Sebrae, Paulo Manso Cabral, abriu evento destacando que mais do que um tema, a Responsabilidade Social “é uma cultura transversal a ser incorporada em todos os projetos, entidades e empresas da Bahia”. Cabral considera a informalidade e a ilegalidade das corporações “como um câncer para o País, nociva para todos, inclusive o próprio empreendedor”.
A pesquisadora baiana Emília Queiroga considera o Seminário de extrema importância porque reúne atenções em foco único e “proporciona a troca de experiências e de boas práticas nos novos modelos de gestão”.
Opinião ratificada pela diretora de Responsabilidade Corporativa e Sustentabilidade de O Boticário, Márcia Vaz. “Este momento é rico porque permite que os empresários entendam como funcionam as práticas de RSE dentro de empresas tanto de grande porte, como é o caso do Boticário, quanto de pequenos, como os nossos fornecedores que participam da mesa”.
Certificadas pelo O Boticário – líder mundial em franquias no segmento de perfumarias com participação em 20 países - como parceiras estratégicas, as empresas OpusMultipla e Allergisa estavam representadas no evento por Ronaldo José de Andrade e Lucas Offenbecker Guerra, respectivamente gerente de recursos humanos e gerente de pesquisa e desenvolvimento das organizações.
Andrade apresentou ações simples que foram implantadas pela empresa a partir da parceria com o Boticário e que já renderam além de qualificação e recursos, comprometimento dos funcionários. Envio de e-mails com dicas ecológicas, troca de lâmpadas comuns por econômicas, adequação das válvulas nos vasos sanitários, regulagem dos aparelhos de ar-condicionado, redução do número de cópias de layouts para apresentação a clientes, separação do lixo, reutilização de copos de acrílico e colocação de adesivos com mensagens ecológicas nas impressoras foram algumas das medidas adotadas pela OpusMultipla, com sede em Curitiba (PR).
Já na Allergisa, empresa de Campinas (SP), as ações foram mais direcionadas para a valorização e bem-estar dos colaboradores como participação nos lucros da empresa, implantação de ginástica laboral e ergonomia, disponibilização de acervo de livros e jornais para leitura e criação de planos de cargos e salários.
A participação dos palestrantes corroborou com a mensagem pretendida pelo Seminário de que pequenas ações contribuem para a implantação de uma gestão responsável que, por sua vez, qualifica e diferencia a empresa diante do mercado como competitiva e inovadora.
Encerrando o evento, o cientista social e diretor da John Snow Brasil Consultoria Miguel Fontes participou da mesa A importância das organizações da sociedade civil no fomento da Responsabilidade Social. Fontes questionou a segregação do desenvolvimento econômico em detrimento ao desenvolvimento social. O cientista acredita que as duas teorias devem estar aliadas dando origem ao “desenvolvimento econômico-social”. Ele ressaltou a importância das empresas refletirem sobre os relacionamentos com os públicos que a envolvem – colaboradores, clientes, fornecedores, comunidade, governo e meio-ambiente. “É um conhecimento empírico, por exemplo, que os funcionários quando valorizados trabalham melhor, tem mais produtividade”, destacou.
Fontes explicou que a Responsabilidade Social Empresarial é um caminho sem volta. Hoje, não há como se pensar em crescimento econômico de uma empresa sem a base em uma gestão sustentável. Os grandes gestores devem incluir no seu dicionário o verbete SOCIAL.