Torcida aprova diretoria do Vitória no "não" ao governo
Redação do Jornal da Mídia
Sexta-feira, 18/07/2008 - 17:36
Salvador - São mais de cinco meses de pressão, mas desta vez a notícia de que o Vitória, definitivamente, deu um ''chega pra lá'' na idéia de deixar o rival Bahia jogar no Barradão se transformou em um alívio para a torcida rubro-negro. Na comunidade Esporte Clube Vitória do site de relacionamento Orkut, a notícia divulgada com exclusividade pelo Jornal da Mídia foi o principal destaque desta sexta-feira (18). Essa comunidade tem mais de 57 mil membros.
No tópico "Vitória diz não ao governo", inspirado na manchete principal do Jornal da Mídia, dezenas de torcedores se manifestaram a favor da diretoria rubro-negra. Muitos comentários e críticas, também, sobre a questão dos jogos do Vitória no Campeonato Brasileiro definidos pela Diretoria Técnica da CBF - o time rubro-negro só faz seus jogos no Barradão às quartas-feiras, o que inibe a presença do público no estádio.
Chefe da Casa Civil do Governo Wagner, Schmidt foi praticamente ''chutado'' do Bahia por Osório Villas Boas e Paulo Maracajá. Agora, com Virgílio Elísio, diretor da CBF, tenta reconquistar espaços junto à torcida tricolor e justamente em cima do rival Vitória - o Barradão seria o melhor caminho. Mas não deu certo.
O responsável pela confecção da tabela do Brasileirão é Virgílio Elísio, diretor Técnico da CBF e conselheiro do Bahia. Virgílio é muito amigo de Fernando Schmidt, chefe da Casa Civil do Governo do Estado, também conselheiro do Bahia, e responsável pela proposta do governo ao Vitória, feita durante uma reunião na segunda-feira (14), na Governadoria, em que participaram Jorge Sampaio e Alexi Portela.
Schmidt e Virgílio foram praticamente chutados do Bahia por Osório e Maracajá. Schmidt ainda conseguiu ser presidente do tricolor, em meados dos anos 70, mas foi deposto pela mão de ferro de Osório, que o considerava "muito devagar" para ser cartola de futebol. Na época, Schmidt ocupava cargo de gerente-geral das Óticas Teixeira, que acumulava com a presidênia tricolor, mas quem mandava e tomava todas as decisões do clube era Osório.
Em seu jornal esportivo semanal "A BOLA", Osório fazia, na época, comentários pesados contra Schmidt. O nome da coluna que o cartola ''escrevia'' era ''Futebol, Paixão e Catimba". A coluna tinha o sugestivo subtítulo: "Não fume, o fumo quase me mata" - o autor tinha colocado algumas pontes de safena por conta do seu vício. O jornal de Osório, tinha também à frente João Guimarães, ex-presidente do Leônico, que era tido como uma espécie de "banda podre" do Bahia.
Ao contrário de Fernando Schmidt, Virgílio Elísio não teve muita sorte para galgar a presidência do Bahia. Encontrou pela frente um adversário ferrenho - Paulo Vigílio Maracajá Pereira, além do próprio Osório Villas-Boas. Em entrevistas na época, Maracajá sempre humilhava Virgílio e nunca permitiu que o hoje diretor da CBF se aproximasse do clube. Além de conselheiro do Bahia, Virgílio foi comentarista esportivo das emissoras Rádio Sociedade e Rádio Excelsior. Depois passou pela presidência da Federação Baiana de Futebol, onde, através de lobby, chegou a um cargo de diretor remunerado da CBF.
O que o Vitória pediu - O governo do Estado propôs ao Vitória realizar obras no entorno do Barradão e nenhuma dentro do estádio. O clube rubro-negro, como se sabe, está com um projeto de ampliação do estádio, que atualmente tem capacidade para 36 mil pessoas sentadas. Mas o governo não pode investir em equipamento privado, como é o caso do Barradão.
O Vitória, em sua proposta, exigiu a construção de dois lances de arquibancadas, colocação de 34 mil cadeiras, um prédio de quatro andares para abrigar a tribuna de honra, dois lances de arquibancadas, construção de mais dois campos de treinamento (atualmente são três) e um placar eletrônico. O valor estimado do investimento seria superior a R$ 5 milhões. Como o governo disse que não poderá investir em obras dentro do estádio, a proposta não tem como ser aceita e o Bahia não tem como jogar no Barradão.
O investimento de R$ 30 milhões que está sendo feito no Estádio de Pituaçu para o Bahia jogar depois de novembro pode ter uma justificativa: Pituaçu é um patrimônio do Estado, construído no governo Roberto Santos e abandonado pelas gestões de ACM, César Borges e Paulo Souto.
A diretoria do Vitória tenta se afastar de qualquer jeito das pessões do governo estadual e voltar inteiramente suas vistas para o Campeonato Brasileiro. "É preciso acabar de vez com essa novela", disse o presidente Jorge Sampaio. O que se espera é que não haja represálias ao Vitória, que não tem nada a ver com a falta de estádio para o rival Bahia jogar.