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Fazendeira branca foge do Zimbábue e relata ação de milícias
  • AGÊNCIA LUSA
  • Sexta-feira, 04/07/2008 - 20:29

    Johannesburgo- Mais uma fazenda pertencente a brancos no Zimbábue foi invadida esta semana por "veteranos de guerra" e suas proprietárias foram forçadas a abandonar a terra.

    "Um grupo de homens que se auto-proclamam veteranos de guerra e milicianos da Zanu-PF [partido de Robert Mugabe] invadiu nossa propriedade na terça-feira e nos forçou a partir e a deixar para trás tratores, vans e motos", disse à Agência Lusa Casey Wiggin, que administrava com a irmã uma fazenda de bananas da região de Bruma Valley, nos arredores de Mutare.

    Em entrevista concedida por telefone, a mulher, que está em Moçambique desde que foi forçada a abandonar a fazenda, contou que o grupo de militantes pró-Mugabe as ameaçou fisicamente e ordenou que partissem.

    A proprietária da fazenda gravou todo o diálogo entre ela, a irmã e o grupo de invasores.

    Na gravação que foi passada a Agência Lusa são claramente audíveis as ameaças de agressão e as ordens dadas pelos ocupantes para o abandono imediato da propriedade.

    Wiggins e a irmã gerenciavam a propriedade de Bruma Valley há oito anos, desde que o pai, Malcolm, foi detido e agredido na primeira onda de expropriações de fazendas de brancos no Zimbábue, campanha que provocou dezenas de mortos e levou à paralisia quase total do setor agropecuário do país.

    "Eu e a minha irmã ficamos na fazenda porque uma lei assinada pelo governo conferia direitos sobre a terra aos zimbabuanos que, apesar de brancos, tinham nascido após a independência do país do Reino Unido. Obviamente que isso já não conta e hoje o Zimbábue não respeita qualquer tipo de legislação", disse Casey Wiggin à Lusa.

    Após a primeira invasão, os pais de Casey se mudaram para Moçambique, onde nos últimos anos se dedicam à exploração agrícola.

    Nas zonas rurais do Zimbábue a campanha de terror e intimidação contra os apoiadores do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) não dá sinais de abrandamento.

    Segundo comunicado emitido nesta sexta pela ONG Zimbábue Projeto de Paz (ZPP), que monitora a violência política no país, em Midlands, Mahonaland East e Mashonaland West opositores de Mugabe continuam sendo agredidos, raptados, forçados a pagar multas e, em alguns casos, assassinados.

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