Praga - A diretora da Sociedade de Franz Kafka em Praga, Marketta Malisova, afirmou ontem, em declaração para a ANSA, que o célebre escritor gostava das mulheres e não tinha medo do sexo, e sim do matrimônio, porque se casar significaria perder a liberdade, principalmente de escrever à noite. Assim, a diretora desmonta uma interpretação muito comum a respeito de um dos maiores escritores do século XX, que este ano receberá homenagens em razão dos 125 anos de seu nascimento.
Malisova explica que a convicção de muitos especialistas, segundo os quais Kafka era tímido e não muito tinha interesse pelas mulheres, deriva do fato de Max Brod, o seu melhor amigo e editor, ter cancelado de suas obras todas as referências ao sexo e ao fato de freqüentar prostitutas, por considerar esse material "muito delicado".
"Os diários e as cartas escritas por Kafka testemunham o contrário. Kafka amava as mulheres e elas com certeza também iam atrás dele porque era um homem carismático, alto, com um olhar profundo", explicou Malisova. "Dentre as cinco mulheres que entraram na sua vida, aquela pela qual Kafka nutriu a paixão mais profunda e intensa, além de uma admiração infinita, foi a escritora Milena Jesenska", uma mulher "moderna, emancipada e independente", afirma Malisova, contestando a tese segundo a qual a relação deles era apenas platônica.
O escritor teria encontrado a mesma personalidade de Jelenska na jovem judia polaca Dora Dymant, com quem transcorreu seus últimos 11 meses de vida. Kafka nasceu em Praga no dia 3 de julho de 1883 e morreu em um sanatório em Kierling, próximo a Viena, no dia 3 de junho de 1924.